“Tem um objetivo muito claro que é trazer a filigrana para o patamar que merece. Uma boa parte da filigrana que vemos a vender nas montras não é feita manualmente e nós queremos fazer um projeto onde se vive a filigrana, a verdadeira, a feita à mão, com uma qualidade muito alta”, declarou à Lusa Luísa Rosas, uma das responsáveis pelo projeto, referindo que o "investimento inicial se cifra num 1.5 milhões de euros".

Segundo Luísa Rosas, que pertence à quinta geração de uma família com ligações à ourivesaria desde meados do século XIX, o projeto da Casa da Filigrana, edificado no número 14 da Rua do Almada, num edifício contíguo ao Hotel Pestana Porto Goldsmith (ourives em inglês), foi assinado pelo arquiteto Nuno Graça Moura e está dividido em três eixos: boutique, museu e oficina de filigrana.

Na área da oficina de filigrana, Luísa Rosas destacou o facto de os visitantes poderem observar os artesãos e profissionais a trabalhar ao vivo a filigrana, juntando “gerações para dar futuro à arte”.

“Acreditamos que possa ser um espaço obrigatório a visitar no Porto”, refere Luísa Rosas, esperando que o novo espaço possa fazer parte do “roteiro cultural da cidade”, especialmente a parte do museu que conta a história de peças com 150 anos e também uma parte da história da cidade e da cultura.

O espaço vai ter entradas pagas, sendo o valor convertível numa peça de filigrana.

“O nosso objetivo é proteger e divulgar uma tradição de cultura e excelência em Portugal, que se encontra ameaçada e desvalorizada pela proliferação de peças de fabrico industrial produzidas em massa por injeção em moldes”, explica, acrescentando que a Casa da Filigrana vai ser um “espaço para “receber, trabalhar e promover” uma das mais antigas técnicas da ourivesaria feita à mão em Portugal.

O museu da Casa da Filigrana propõe, por seu turno, uma viagem pelo universo e história da arte da filigrana portuguesa, com a curadoria de Paulo Valente, e onde vai estar patente a exposição permanente “Filigranas Portuguesas”, com um espólio de peças que datam dos séculos XIX, XX e XXI.

A Casa da Filigrana integra ainda um espaço ‘boutique’, no qual vão estar peças de alta joalharia em filigrana desenvolvidas por filigraneiros.

A Casa da Filigrana nasceu também com uma “componente emocional forte”, assumiu ainda Luísa Rosas, filha de David Rosas, que detém a marca, com o mesmo nome, de relojoaria e joalharia.

A Casa da Filigrana insere-se no projeto do Pestana Porto – Goldsmith, que engloba um hotel de quatro estrelas inaugurado há um ano na Rua do Almada inspirado na filigrana, museu e oficina, ambos dedicados à arte da filigrana.

Os grupos Pestana e David Rosas inauguram a 21 de dezembro de 2018 o hotel Pestana Porto – Goldsmith, com 43 quartos e na altura foi anunciado que o “investimento e promoção” do projeto ficaria a cargo do grupo David Rosas.

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