A exposição é a mostra principal de centenas de eventos que vão ter lugar em Espanha ao longo dos próximos três anos para assinalar a viagem de circum-navegação da terra iniciada em 20 de setembro de 1519, em Sanlúcar de Barrameda, no sul de Espanha, e terminada em 06 de setembro de 1522, no mesmo local.

Fernão de Magalhães, que planeou a viagem que foi financiada pelo reino de Castela, não terminou a expedição, uma vez que morreu nas Filipinas, em 1521, aos 41 anos, tendo esta sido concluída por João Sebastião Elcano.

“Comemoramos a maior epopeia da história”, explicou o comissário da exposição Antonio Fernandez Torres, acrescentando que a exposição “é uma homenagem ao espírito explorador do Homem face ao desconhecido”.

A mostra reúne pela primeira vez e dá a conhecer ao público os principais documentos e crónicas que durante séculos permitiram o estudo e a análise da primeira viagem de circum-navegação do globo.

Ao todo são exibidas 106 peças e documentos originais pertencentes ao Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, e a diversas outras instituições nacionais e internacionais, como o Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Lisboa e a Biblioteca da Universidade de Coimbra.

Para os organizadores, “A viagem mais longa” é um “relato inédito da façanha impressionante que mudou definitivamente a história da humanidade”, e também rende homenagem ao espírito explorador do Homem e a sua atitude perante o desconhecido.

Fernão de Magalhães
Fernão de Magalhães créditos: Wikipedia

A mostra está dividida em seis partes que mostram as diferentes fases da viagem: Sonho, Partida, Exploração, Destino, Regresso e Transformação.

Na primeira parte está o documento que faz a crónica da apresentação “histórica” do projeto de Fernão de Magalhães na corte castelhana, que na época se encontrava em Valladolid, hoje capital da comunidade autónoma de Castela e Leão.

“Castela sonhava há já 25 anos em ter uma rota alternativa para chegar às Índias e fazer concorrência às especiarias que os portugueses já comercializavam na Europa e Magalhães forneceu o projeto para que isso fosse possível”, explicou à Lusa Antonio Fernandez Torres.

Outro documento importante é a versão castelhana, escrita em português, do Tratado de Tordesilhas assinado em 7 de junho de 1494 entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela para dividir o mundo pelos dois reinos.

Da biblioteca da Universidade de Coimbra veio, entre outras peças, uma versão da crónica que António Pigafetta um marinheiro, geógrafo e escritor italiano que acompanhou a viagem e manteve um registo dos acontecimentos.

Na parte final da exposição encontra-se a escultura da Virgem da Vitória, cedida pela Igreja de Santa Ana, do bairro sevilhano da Triana, uma imagem venerada por Fernão de Magalhães e testemunha do juramento dos capitães dos cinco barcos que saíram inicialmente da capital da Andaluzia.

“A viagem mais longa: a primeira volta ao Mundo” pode ser visitada gratuitamente no edifício do Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, até 23 de fevereiro de 2020.

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