Bilhete-postal enviado por Luisa Lopes

Pelo meio, comprámos uma viagem de barco que nos levaria de uma ilha a outra, viagem essa com a duração de cerca de 7 horas, durante a noite.

No dia marcado, deparámo-nos com um barco antigo, estilo nau (ou pelo menos é assim que me recordo dele). Dado importante: eu adoro o mar, mas enjoo muito facilmente.

Estava uma tarde ventosa e as nuvens ameaçavam tempestade. Mal coloquei os pés no barco, imediatamente comecei a sentir-me mal. Os amigos só diziam “Vá! Vai correr bem!”. Até que chegámos ao interior do barco.

Parecia a telenovela “Terra Nostra”. Um espaço escuro, paredes de madeira, sem cadeiras, sem janelas. Apenas colchões de esponja dispostos lado a lado (130, contei por alto) ao longo de cada uma das paredes laterais, deixando um corredor no meio das duas filas. O pânico.

Nada habituadas à vida de pirata, eu e umas amigas fomos em busca de um wc: higiene oral em primeiro lugar! Erro. Ao chegar à “cave”, deparámo-nos com um barril com água, para a nossa higiene e um pequeno compartimento com um buraco no chão, para as necessidades fisiológicas. O pânico (parte 2).

Nesta altura, estava tão enjoada que já não consegui voltar a subir. Dirigi-me à pequena varanda com vista para o mar e pronto. Vómito número 1. Foram todos dormir e ali fiquei eu. O estômago não me dava tréguas, e lá fora formava-se uma tempestade.

Passado algum tempo chegam duas amigas: uma enjoada e uma com um ataque de pânico. Partilhei lugar à varanda com a primeira. Tentámos calar a segunda. Estávamos ambas muito enjoadas, e o terceiro elemento tinha a certeza que o barco ia afundar! Ela panicava e panicava. Nós vomitávamos quase em uníssono.

Após o ataque de pânico inicial a nossa amiga percebeu que estávamos mal e foi buscar lenços de papel e água. Nem 2 minutos depois voltou, não com os lenços de papel e água mas com um saco transparente com fecho, e no seu interior: o passaporte e uma banana (!!). Acontece que, pelo caminho, lembrou-se que, caso o barco afundasse, seria importante ter o passaporte são e salvo e algum alimento para não morrer à fome enquanto naufragava!

Nunca esquecerei o seu ar decidido, a descer as escadas de madeira com a banana no saco, e a não entender o fraco entusiasmo. Continuámos a vomitar noite fora, e, eventualmente, acabei por adormecer na varanda, recostada na parede, e com a cabeça deitada em cima dos braços. Chegámos sãos e salvos. Não há registo do paradeiro da banana.

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