O custo de vida londrino faz com que seja difícil manter a viagem "low cost". Há, no entanto, escolhas que podemos fazer que em nada diminuem o valor da viagem e não voltamos a casa "depenados".

Talvez o ideal seria uma semana, para conhecer os pontos mais emblemáticos de Londres, mas nós não tínhamos esse tempo. Assim, escolhemos um conjunto de atividades que fossem do agrado do miúdo e nos permitissem manter o orçamento controlado durante três dias de viagem.

O voo

O voo foi comprado com 2 meses de antecedência, o que até não é muito tempo antes, mas moramos numa zona onde a maior parte do turismo é britânico e há muitos voos para Londres, de várias companhias aéreas low cost. E a forma mais económica de comprar foi: ir na Norwegian e regressar na Ryanair.

No caso de Londres, o voo não é a fatia maior do orçamento, ao contrário de destinos longínquos, nos quais não temos como contornar o preço elevado da viagem. Há imensas companhias aéreas a voar para a capital do Reino Unido e o que fazemos é: ver todas as hipóteses num site agregador de viagens, como o Momondo ou o Skyscanner, verificar qual companhia aérea está a fazer o preço mais baixo para a data pretendida e comprar directamente no website.

Alojamento

Há muito alojamento em Londres, mas para não ter um preço proibitivo para nós, há concessões a fazer: temos de aderir a alojamento tradicional, com escadas íngremes de alcatifa vermelha e cortinados e colcha da cama de flores, casa de banho minimalista ou sair do centro e fazer bem as contas às deslocações para o centro. Escolhemos a primeira hipótese. Preferimos andar a pé ou em deslocações de autocarro de 20-40 minutos do que ter de andar de metro para longe, não se vê nada e é caro (4,90£-5,90£/percurso por adulto).

Arranjar alojamento a menos de 100€ a noite não é fácil, para dois adultos e uma criança no berço. Se arranjamos, fica muitas vezes fora do centro (depois gastamos muito mais em transportes), ou não tem pequeno-almoço, ou tem WC partilhado. Temos de fazer bem as contas.

O bairro de Paddington tem imensos hotéis e é possível andar a pé para muitas atracções. Levar um carrinho de criança é importante, os passeios são largos e planos, o que só ajuda. Este hotel é simples, limpo e a localização é muito boa: easyHotel-Paddington. Tem um supermercado Tesco próximo, pequenos restaurantes, lojas de conveniência, onde se pode comprar os cartões para os transportes e de tudo um pouco.

Londres
créditos: Unsplash / Jonathan Chng

Transportes dentro da cidade

Há várias hipóteses e a escolha vai depender do tempo em que ficamos na cidade e de quantos elementos tem a família.

Os autocarros não vendem bilhetes. É necessário comprar um Oyster Card (nas estações ou lojas de conveniência), custa 5£/5.75€ cada adulto, as crianças até 10 anos não pagam. Este cartão Oyster tem de ser carregado com dinheiro (nas lojas de conveniência ou estações) e o saldo vai sendo debitado consoante utilização no autocarro, metro ou comboios.

Existe o London Pass com várias hipóteses, consoante as viagens nos transportes públicos e as atracções pagas. Toda a informação está neste site: The London Pass.

Para uma família de 4, com crianças com mais de 10 anos, pode compensar, utilizar Uber. A Uber em Londres funciona muito bem, nunca esperámos mais de 5 minutos pelo condutor. Por exemplo de Piccadilly Circus para Paddinton, a viagem custa cerca de 10£. Ter um telemóvel hoje em dia torna tudo tão mais simples, nem libras precisamos ter na carteira.

Aconselhamos a comprar o Travel Card na internet antes de chegar a Londres, pois também tem preços melhores para as viagens dos vários aeroportos para o centro. E descomplica a chegada, onde vamos precisar de comprar os bilhetes de autocarro, metro ou comboio para o centro.

O que ver e fazer

Marble Arch

O Marble Arch, é um arco que foi projectado em 1827 por John Nash para ser a entrada triunfal do Palácio de Buckingham. Outrora era esta a sua função, mas hoje em dia, deslocado para a zona entre Bayswater e Marylebone (1851), é um monumento um bocadinho isolado e zona de passagem.

Antigamente, quando estava junto ao Buckingham Palace apenas membros da família real, cavaleiros e tropa do rei podia lá passar. Nos nossos dias, toda a gente pode lá passar. É um monumento bonito e com muitos pormenores e estátuas, que representam Inglaterra, Escócia e Irlanda.

Buckingham Palace

Palácio de Buckingham
créditos: Unsplash / Debbie Fan

O Palácio de Buckingham é a residência oficial e local de trabalho do Rei. Construído em 1703 para John Sheffield, o 1º Duque de Buckingham e Normanby. Só 30 anos mais tarde foi comprado pelo Rei Jorge III.

O render da guarda é uma cerimónia que ocorre todos os dias, às 11 horas. É neste momento uma grande atracção turística e cerca das 10:30 já estão centenas (ou milhares) de pessoas coladas à grade do palácio, e na rotunda em frente. Há polícia a cavalo que controla a multidão à força, e aos gritos.

Se queremos mesmo ver os famosos soldados da rainha vestidos de vermelho com o seu chapéu alto de 45cm, feito de pelo de urso pardo do Canadá, temos de conseguir chegar ao local bem cedo e esperar. Pessoalmente não acho que a espera valha a pena (especialmente com crianças no colo/cavalitas), a cerimónia é repetitiva, longa de 45 minutos, e a única coisa engraçada é mesmo o uniforme.

A nossa dica é: assistir à troca dos guardas na área chamada Horse Guards Parade junto ao Household Cavalry Museum, que fica entre o Palácio de Buckingham e Trafalgar Square, diariamente às 11 horas (e às 10 horas aos domingos) com duração de cerca de 30 minutos. Ou aguardar no meio do St. James Park pela passagem dos famosos soldadinhos, que saem do palácio de St. James e vão a marchar até o Palácio de Buckingham onde se juntam aos colegas que lá estão.

Troca da guarda
créditos: Onde andam os Duarte

Big Ben

O Big Ben, como é geralmente chamado, é o nome do sino instalado na torre do relógio do Palácio de Westminster (Elizabeth Tower). Construído em 1858, vai estar coberto de andaimes até 2021 quando irão terminar as suas obras de manutenção para que o velhinho relógio continue a dar as badaladas certas.

Durante este período de 4 anos, não ouviremos por diversos meses as badaladas do Big Ben. O Parlamento garante, no entanto, que em algumas datas especiais, como na passagem do ano, o sino tocará normalmente. A obra vai custar 29 milhões de libras e não afetará somente o relógio, mas também a Torre, que atualmente apresenta fissuras e infiltrações, além de corrosão no telhado e na estrutura que sustenta os sinos. Será também instalado um elevador, para melhorar a acessibilidade para os que não conseguem subir os 334 degraus da escada em espiral que leva ao topo da Elizabeth Tower.

Quando estiver reparado, voltará a brilhar!

London Eye

London Eye
London Eye créditos: Unsplash / Artur Tumasjan

A London Eye é uma roda-gigante de 135 metros de altura situada na margem sul do Tâmisa, em frente ao Big Ben e ao prédio do Parlamento britânico. É, também, das atrações mais requisitadas de Londres, recebe anualmente cerca de 3,5 milhões de visitantes. Lá em cima temos uma vista panorâmica da cidade e arredores, num dia de céu limpo pode-se conseguir ver até 40 km de distância.

As 32 cápsulas, que representam os 32 bairros de Londres, levam 25 pessoas e completam uma volta em 30 minutos. Cada cápsula é suspensa de modo que fique sempre na vertical e o movimento é tão lento que quase não se sente. Em cada cápsula há tablets com um guia interativo que disponibilizam fotos e informações sobre as atrações e edifícios que avistamos das paredes transparentes.

Estava um dia muito nublado e optámos por ver a roda gigante na margem oposta do rio.

Piccadilly Circus

É a praça mais conhecida de Londres. Está repleta de londrinos e turistas a qualquer hora do dia, pois à sua volta existe um conjunto de oferta de lazer (lojas para todos os gostos, restaurantes, teatros, etc.) sem igual.

O que a faz famosa são os painéis luminosos e a fonte com a estátua de Eros que está mesmo no centro. Localizada perto das famosas Regent Street, Oxford Street e Chinatown, é local obrigatório para quem vai a Londres.

Para quem vai com crianças, é uma zona onde não convém largar-lhes a mão. Especialmente a partir do fim da tarde quando as multidões e o trânsito se tornam caóticos.

Hamleys

É uma loja de brinquedos em Regent Street, mas não é uma loja qualquer. É a maior e mais antiga loja de brinquedos do mundo. Tem 5 andares, 400 funcionários e mais de 50.000 tipos de brinquedos.

Está sempre a abarrotar de pessoas, tem cerca de 5 milhões de visitantes por ano. Tanto crianças como adultos gostam!

St. Jame’s Park

É o mais antigo dos parques reais e fica entre Piccadilly Circus e Westminster, onde está o Big Ben. É uma zona verde em pleno centro de Londres e onde os miúdos podem andar à vontade. Tem um lago com patos, que estão super habituados às pessoas, e existem esquilos que vêm comer à mão.

Trafalgar Square

Esta praça celebra a batalha de Trafalgar, onde os ingleses enfrentaram os espanhóis em 1805. Tem uma coluna de 52 metros no centro, com uma estátua de um almirante (Nelson) que faleceu nesta luta. Atrás da coluna está a National Gallery, duas fontes e quatro leões de bronze.

Curiosidade: conta a história que Sir Landseer, convidado para esculpir os leões de bronze, demorou 4 anos a desenhá-los, depois, não estando satisfeito, passou dias no jardim zoológico a observar os animais e teve de esperar mais 2 anos que morresse um deles, e ele pudesse colocá-lo no seu estúdio. Entretanto, o animal começou a decompor-se e ele teve de acabar o trabalho “à pressa”. Se observarmos com atenção, podemos ver que as patas destes leões são patinhas de gato.

É nesta praça que é erguida a famosa árvore de Natal londrina.

Museu de História Natural

Este gigante museu é actividade para um dia com paragem para almoço.

Museu de História Natural
Museu de História Natural créditos: Onde andam os Duarte

O National History Museum está localizado em Cromwell Road, onde se chega de metro pela estação de South Kensington. Está aberto todos os dias das 10h00 às 17h50. É gratuito.

Contém uma extensa coleção de 70 milhões de espécies e objetos relacionados com o mundo natural. Aborda a Terra e as diferentes formas de vida que surgiram e evoluíram no nosso planeta.

  • O museu é composto por diferentes áreas espalhadas pelo imponente edifício:

- Dinossauros: Ao longo de várias salas é possível observar esqueletos de dinossauro, além de algumas recriações de dinossauros em tamanho real. Trata-se de uma das partes preferidas das crianças.

- Mamíferos: Nas salas da biodiversidade há tanto mamíferos (dissecados ou recriações) como fósseis. O centro do teto da sala principal está decorado com a recriação de uma impressionante baleia azul de tamanho real.

- A força interior (The Power Within): Trata-se de uma experiência interativa que pretende mostrar as causas pelas quais se produzem vulcões e terremotos mediante diferentes recriações.

Hyde Park

É o maior parque no centro de Londres. Num dia de sol, estes 140 hectares de zona verde atraem milhares de pessoas para o ar livre. Há famílias a fazer pic-nics, pessoas a fazer exercício, a passear os cães, andar de bicicleta e a namorar.

No verão funciona como alternativa à praia. No lago central, chamado Serpentine, é possível alugar um barco a remos e dar uma volta para observar a fauna e a flora.

Tower Bridge

É ponte mais bonita (para nós) das 12 pontes que existem no centro de Londres. Em estilo vitoriano, com plataforma levadiça, que trabalhava a máquinas a vapor, para deixar passar os barcos veleiros que no séc. XIX circulavam em grande número no rio Tâmisa. Pode-se visitar por dentro as torres e ver um pouco da história da maquinaria desta emblemática ponte.

À noite é muito bonita mesmo.

Tower Bridge
Tower Bridge créditos: Unsplash / Raul Varzar

Torre de Londres

Foi durante 900 anos o lugar para onde íam parar todos aqueles que ofendiam o rei. Os prisioneiros sobreviviam em péssimas condições e a maior parte não saía de lá vivo, eram executados em Tower Hill. Era um local de muito terror.

A Torre de Londres é um enorme forte que funcionou ao longo da sua história como residência real, arsenal, fortaleza e prisão. Hoje guarda as joias da coroa, e recebe imensos turistas atraídos pela história do lugar.

  • O que ver na Torre de Londres:

- As Joias da Coroa: composta por coroas, espadas e cetros de incalculável valor tanto material como histórico e religioso.

- A Torre Branca: conhecida como a Torre de Londres, é o edifício central e o mais antigo do local.

- Os corvos: são os residentes mais famosos da Torre de Londres. Segundo a lenda, se os corvos desaparecessem, a torre cairia e, com ela, o reino. Com o fim de evitar tal catástrofe, um dos guardas que protegem a torre (ravenmaster), cuida dos corvos e corta a ponta de uma das asas para evitar que eles voem.

- Palácio Medieval: além de ser uma imponente fortaleza, a torre também foi uma confortável e luxuosa residência para os membros da realeza.

- Capela de São Pedro: construída em 1520, a capela da torre é o lugar onde se conservam os restos dos prisioneiros mais famosos que foram executados na torre. Hoje em dia, a capela continua sendo o lugar de oração das mais de 150 pessoas que vivem na torre.

Docas de St Katherine

Mesmo junto à Tower Bridge, atrás de um conjunto de prédios, está esta doca. Pouco conhecida dos turistas que acabam por ir lá parar sem saberem como. Mas é um lugar muito agradável, porto de abrigo de quem chega a Londres pelo rio no seu próprio barco.

A zona foi recentemente revitalizada, tem restaurantes, pubs e animação noturna.

Autocarro de dois andares

Deixamos aqui como uma actividade, porque é uma excelente forma de nos deslocarmos pela cidade, e porque foi das coisas que o nosso pequeno viajante mais gostou. Um autocarro com escadas lá para cima!

Hoje em dia, são autocarros modernos, mas imitam o estilo antigo dos autocarros vermelhos que são um reconhecido símbolo da cidade. Os velhinhos Routemaster já quase não circulam, mas com sorte ainda podem encontrar um modelo 15H, junto à vossa paragem.

Autocarro em Londres
créditos: Onde andam os Duarte

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Artigo originalmente publicado no blogue Onde andam os Duarte?

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