O pilar tinha sido usado por ascetas cristãos no século VI d.C e, de certa forma, podemos dizer que Maxime está a dar continuidade a essa antiga tradição ascética e pode até ser o último a fazê-lo.

O pilar Katskhi está situado em Imerícia, uma região na parte ocidental da Geórgia. Este pilar eleva-se a uma altura de cerca de 40 metros e tem vista para o pequeno vale fluvial de Katskhura. Como o Katskhi é uma característica tão proeminente na paisagem, não é surpreendente que tenha adquirido um significado especial. Antes da chegada do cristianismo, por exemplo, acreditava-se que o Katskhi era usado como local sagrado pelos pagãos, há mais de 2 mil anos, e aí eram realizados rituais dedicados ao deus da fertilidade

Com o advento do cristianismo, no entanto, o Pilar Katskhi adquiriu uma nova função. A coluna de calcário deixou de estar associada à fertilidade. Em vez disso, tornou-se uma forma simbólica de se desprender do mundo. A prática ascética de viver num pilar ou monólito tem as suas origens na figura de Simeão Estilita, um homem santo do século IV-V que decidiu viver em cima de um pilar. São Simeão fê-lo para  fugir da sociedade e dedicar o seu tempo à oração.

Entre os séculos VI e VIII, uma pequena igreja, dedicada a São Máximo, o Confessor, foi construída no topo do pilar Katskhi. Hoje, apenas podem ser vistos os restos dessa antiga igreja. Embora já se soubesse que o Katskhi foi usado por eremitas cristãos ao longo dos tempos, foi somente em 1944 que os investigadores exploraram o pilar.

Um estudo mais sistemático foi realizado após 1999, e descobriu-se que, além da igreja, o Katskhi  também tinha várias casas para os eremitas viverem, bem como uma adega. Além disso, em 2007 uma pequena placa de calcário foi descoberta. Esta placa tinha uma inscrição em Asomtavruli (um dos três sistemas de escrita usados para escrever a língua georgiana), datada do século XIII. A inscrição revelou que um homem com o nome de "Giorgi" estava encarregado da construção de três casas eremitas. Além disso, a inscrição faz referência ao "Pilar da Vida", que é outro nome usado pelos locais para o Katskhi. Segundo a tradição, a coluna foi venerada como um símbolo da Verdadeira Cruz.

Hoje, há apenas um eremita a viver no cume do Katskhi. Em 1993, um monge ortodoxo georgiano com o nome de Maxime Qavtaradze mudou-se para o pilar, depois de receber os seus votos monásticos. No início, o monge dormia num frigorifico antigo, já que não havia nada no topo do pilar para protegê-lo dos elementos. Mais tarde, uma capela abandonada foi renovada por alguns cristãos. Foi também construída uma casa para o monge viver.

Maxime teve uma vida atribulada e sentiu que viver no Katskhi o ajudou a aproximar-se de Deus e a abandonar o seu passado. Passa a maior parte do tempo no topo do pilar. Provisões diárias, por exemplo, são enviadas a partir do chão com a ajuda de um guincho. No entanto, ele desce duas vezes por semana, através de uma escada de ferro, para rezar num pequeno mosteiro localizado na base do pilar. Enquanto está no mosteiro, oferece conselhos aos jovens problemáticos que vão lá à procura da sua ajuda.

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