Transportes? Tem duas formas mais populares e económicas, dependendo de onde estiver (por exemplo, Moçambique que é mais perto do que outros países que fazem fronteira): o táxi (mais elaborado e que pode recrutar através da sua agência de viagens ou planear lá mesmo) ou ir nas típicas carrinhas Chapa 100. Se for de táxi e for portuguesa a sair de Moçambique vai ser comum ouvir algo como “trocava duas de cá por uma portuguesa!”. Se optar por ir de Chapa 100, atenção que é estilo aportar de cruzeiro em Marrocos e entrar, de enfiada, numa carrinha em que no seu lugar vão mais uma ou duas pessoas. Tudo apertado e só se faz uma vez a ida até Niassa.

Uma dica importante: não confie muito nos horários, vá com antecedência e seja paciente com o continente onde nasceu a humanidade. Conheço, de forma muito próxima, uma viajante que explora países que falam português e que foi conhecer Niassa precisamente numa Chapa 100. Mas, calhou ir num dia de tempestade. Chegou a Niassa e o motorista foi-se embora, só prometendo voltar no dia a seguir. Todos os turistas, incluindo ela, esperavam voltar no próprio dia e não no dia seguinte. Que fazer, quando estas coisas e uma tempestade acontecem num pacote turístico?

Procurar um hotel próximo do lago, na capital da província Niassa, o que nem estava nos planos. Daqui veio aventura. Ficou no que se poderia chamar de hotel, com um teto de colmo com fissuras através das quais pode ver o céu. Não é Glamping, é mesmo a natureza hoteleira que pode encontrar nestas expedições.

Eu adoro desafios, portanto este é um dos lugares que quero conhecer, com ou sem tempestade. E decerto quero dormir virada para as estrelas. Segundo ela, em almadias, ao longe, vinha o som de pescadores que ainda conversavam tardiamente. Tudo o resto era um silêncio absoluto e que faz a vez de qualquer retiro espiritual. E dentro desse silêncio algo me faz pensar no silêncio propositado dos animais selvagens que estão na Reserva Natural daquela província: viaje pelas galerias dos visitantes que se renderam aos animais dessa Reserva em Niassa. Está na minha lista Top 10 de viagens 2021.

Lago Niassa em Moçambique
Lago Niassa em Moçambique créditos: Pixabay

Enquanto ela dormia (confessou-me) que ouviu animais, mas nada de rugidos ou similar. Descansou sem pensar nos barulhinhos dos animais mais pequenos que rodeavam o colmo. Quando acordou, ouviu as notícias frescas da tempestade e das condições do hotel: sem banho, naquele dia! Água cortada ou era sempre assim?! Montou-se o alarde dos turistas às 5h da manhã. Era o momento de tomar banho pois tinham adormecido completamente inebriados pela viagem longa ou pelo silêncio completo da sanzala.

Ora aqui vai uma solução que pode replicar quando lá for caso aconteça imprevistos com o WC ou com tempestades: peça um sabonete e leve os lençóis da cama consigo. Não tenha medo da chuva porque é quente. Pense na maravilha da chuva tropical e tome banho no lago de cerca de 600 KM. Niassa, o lago que ondula como mar pelo seu comprimento e profundidade onde ainda consegue ouvir algum português pois é parte do ‘nosso’ Moçambique, avistando-se a Tanzânia e Malawi. Acredito que este seja um dos batismos de vida mais bonitos que não vai querer perder. Só dê uma olhadela à meteorologia antes de ir!

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