Oito estudantes de carreiras tão diferentes como engenharia, veterinária ou nutrição lutaram por dois dos lugares que lhes permitiriam representar o Brasil na sexta edição do Campeonato Mundial de Aviões de Papel da Red Bull, que será disputado em maio em Salzburg (Áustria) e que contará com participantes de 62 países, incluindo dois portugueses: André Miranda (Distância de voo) e Guilherme Barcelos  (Tempo de voo), eleitos no passado dia 09 de abril, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa. A eliminatória brasileira aconteceu na passada segunda-feira, dia 18 de abril, no Rio de Janeiro, Brasil.

Os estudantes brasileiros lançaram pequenas aeronaves de papel no Museu do Amanhã, onde foram realizadas exposições para homenagear Santos Dumont (1873-1932), que muitos consideram o pai da aviação, à frente dos irmãos americanos Wright.

No dia 12 de novembro de 1906, nos arredores de Paris, França, Dumont efetuou a primeira descolagem e controlo de voo de um avião de forma totalmente autónoma.

Foram 220 metros percorridos, a uns seis metros de altura e em 21 segundos a bordo do avião 14-bis.

Neste torneio que, aos olhos de muitos, é um jogo de crianças, os "herdeiros" do genial inventor têm um desafio similar: criar aviõezinhos de papel que mais tempo perdurem no ar e que percorram a maior distância possível.

Distantes do recorde

Na prova classificatória, os participantes - escolhidos entre 2.500 aspirantes - criaram o avião a partir de uma folha de papel em formato A4.

"Os aviões na modalidade de maior distância é como se fossem foguetes (...) Os de maior tempo no ar são como planadores, têm asas maiores", explica à AFP José Silva, que, como a maioria dos concorrentes, começou por se apaixonar por esta prática na escola secundária.

créditos: AFP or licensors

O estudante de computação de Goiânia (GO), de 24 anos, participou pela segunda vez nas eliminatórias para o campeonato mundial, no qual o Brasil venceu em duas edições (2006, 2009) na categoria de Tempo de Voo.

Silva, porém, marcou o último tempo (2,11 segundos), longe dos 7,61 do vencedor Pedro Cruz, e do recorde mundial de 27,9 do japonês Takuo Toda.

"Estou em êxtase aqui, eu não acreditei quando aconteceu", afirmou Cruz, de 19 anos, após a vitória.

Lançamento de dardo

Richard Amorim, de 23 anos, competiu na categoria de maior distância após praticar diariamente nas ruas de Pernambuco, onde muitos dos seus aviões acabavam pendurados em árvores ou telhados.

Amorim atribui a sua habilidade na construção, em parte, à técnica adquirida como lançador de dardos.

"Toda a biomecânica do movimento de lançamento é muito parecida. No dardo, há certos graus, que devem ser feitos com o braço para lançar de forma adequada. Com essa mesma inclinação (entre 34 e 37 graus) "a pessoa consegue mandar o avião para que não suba tanto e faça a parábola", apontou o estudante de educação física.

Amorim obteve finalmente a terceira pontuação, com 35,1 metros, contra os 40,3 do vencedor, Issac Queiroz, e os 69,1 do recorde do americano Joe Ayoob.

Porém, acredita que o Brasil será bem representado na Áustria.

"O brasileiro sempre consegue dar o jeito para qualquer coisa", comentou. Como Santos Dumont.

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