Todos os anos, milhares de turistas vão às famosas praias contornadas por palmeiras, mas Bali não escapa do problema da poluição marinha, especialmente grave na Indonésia.

Em vídeos que se tornaram virais podemos ver ondas de resíduos arrastadas para as praias mais turísticas. Foi encontrado também um cachalote morto que tinha seis quilos de plástico no estômago, incluindo 115 copos e 25 sacos.

No ano passado, a ilha decidiu proibir os plásticos de uso único, mas a aplicação desta lei local esteve suspensa até a semana passada, quando se superou o último obstáculo e a justiça rejeitou um recurso de uma associação de empresas de reciclagem de plásticos (ADUPI), que temia parar de ter matéria-prima suficiente.

"A ação foi rejeitada [...] e em consequência disso o regulamento pode ser aplicado", indicou à AFP Made Teja, responsável pela agência para o meio ambiente de Bali. "Esperamos que os habitantes, tanto os consumidores como as empresas, apoiem este programa".

A Indonésia, assim como outros países do sudeste asiático, recicla uma pequena proporção dos seus resíduos e, desde 2018, enfrenta o fluxo de resíduos importados, depois da China, que reciclava boa parte do lixo ocidental, ter decidido parar de aceitá-lo.

Jacarta anunciou em junho que iria devolver dezenas de contentores de lixo não apto para a reciclagem aos seus países de origem, quer fossem os Estados Unidos, a Austrália ou países europeus, pois não quer se tornar a "lixeira" das garrafas, embalagens e fraldas utilizadas nos países ocidentais.

70% a menos até 2025?

Formado por 17.000 ilhas, este grande arquipélago, o segundo maior poluidor marinho, depois da China, comprometeu-se a reduzir a poluição por resíduos plásticos em 70% até 2025.

Para isso, prevê reforçar as suas capacidades de reciclagem, reduzir o consumo de plásticos de uso único e lançar campanhas de limpeza para sensibilizar a população, até agora pouco formada em questões ecológicas.

O problema dos resíduos plásticos tornou-se tão urgente em Bali que a ilha declarou há dois anos o estado de "emergência", depois de ter visto a sua costa completamente coberta de lixo.

Atualmente são reciclados apenas 48% dos resíduos na ilha, segundo um estudo publicado em junho por um grupo de universitários, representantes das autoridades locais e de empresas, o Bali Partnership, respaldado pela Noruega. O resto costuma ser queimado ou acaba nas lixeiras, rios e no oceano.

O governo local decidiu lançar campanhas de sensibilização nas escolas e mercados antes de começar a impor sanções.

"Tentamos educar e sensibilizar as pessoas" sobre o objetivo desta política, aponta Made Teja. "O que queremos é reduzir o volume de resíduos e explicar às pessoas que não devem continuar a utilizar plásticos descartáveis, como sacos, palhinhas ou poliestireno".

O distribuidor Coco Group saudou a nova lei, destacando que não usa embalagens plásticas nos seus supermercados há anos.

A associação de distribuidores, Aprindo, diz apoiar a proibição mas alerta que existirão dificuldades. "A aplicação não é fácil", destaca o seu responsável, Anak Agung Ngurah Agung Anggara Puta. "Educar as pessoas leva tempo".

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