A ideia é “pôr o espólio a valorizar”, disse hoje à agência Lusa o presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL), Luís Aires-Barros, referindo que já foram realizados alguns estudos sobre a reabertura do museu e concluiu-se que “é capaz de ser rendível”.

“Esta casa está cheia de património cultural”, afirmou o responsável da instituição, sublinhando que existe “um espólio muito vasto”, em que as peças consideradas mais valiosas são “três dos cinco padrões que o Diogo Cão deixou na costa de Angola no fim do século XV”.

Fundada em 1875, a SGL encontra-se sediada num edifício anexo ao Coliseu dos Recreios desde 1897, no número 100 da rua das Portas de Santo Antão, usufruindo de um espaço de cinco pisos especialmente concebido para a acolher em troca da organização das comemorações dos 400 anos do descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia.

Segundo Luís Aires-Barros, o Estado pagou as comemorações e decidiu que a Sociedade ficava a ocupar o edifício com “uma renda simbólica”.

No entanto, passado mais de um século, a 27 de dezembro de 2013, a SGL recebeu uma carta do senhorio - Empresa de Recreios Lisbonenses - anunciando as novas condições do contrato, em função da aplicação do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU), que atualizou a renda de 700 para 10 mil euros.

Com o “safanão” do aumento da renda, a SGL invocou o serviço público prestado ao país para “procurar garantir que o Estado se interessava” com a situação”, negociando três hipóteses: a alteração da lei, a troca do imóvel por outro ou a expropriação.

Neste sentido, a SGL - associação privada, com fins científico-culturais - tentou encontrar respostas no anterior e no atual Governo, mas ficou “tudo em águas de bacalhau”.

Ainda assim, em 2015, uma resolução do Conselho de Ministros reconheceu “o interesse público, de natureza cultural, científico e histórico, da parte do imóvel ocupado pela SGL” e foi estabelecido um protocolo com o Fundo de Fomento Cultural para a atribuição de uma subvenção à Sociedade de Geografia, no valor de 80 mil euros por ano para despesas de iniciativas, nomeadamente conferências e debates.

À semelhança de outras capitais europeias, a Sociedade de Geografia de Lisboa foi criada, fundamentalmente, para “ir conhecer a terra incógnita” - África, organizando “grandes expedições”.

Entre os serviços de interesse público prestados pela SGL estão a Comissão Central de Geografia, a Comissão de Cartografia, a Junta de Investigações do Ultramar, que depois do 25 de Abril de 1974 passou a designar-se de Instituto de Investigação Científica Tropical e que foi extinto em julho de 2015, e a Escola Superior Colonial, que hoje é o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

Atualmente, a Sociedade tem 36 comissões e secções de âmbito geográfico e nas áreas de história, agricultura, antropologia e arqueologia, que organizam conferências e outras iniciativas, através dos cerca de 1.400 sócios.

De acordo com Luís Aires-Barros, a SGL dispõe, também, de uma biblioteca aberta ao público com cerca de 72 mil títulos, uma cartoteca com cerca de 300 atlas, cinco mil cartografias de folha solta e seis mil manuscritos, uma fototeca com mais de 50 mil peças fotográficas em papel, celuloide e vidro.

O responsável adiantou que a Direção-Geral do Património Cultural já visitou o espaço para atestar o interesse da reabertura do museu.

“Estamos muito avançados”, afirmou o presidente da SGL em relação ao projeto do museu, acrescentando que existem “duas boas propostas” de investidores, uma vez que é necessário fazer um investimento de “umas largas dezenas de milhares de euros”.

O museu deverá reabrir no próximo ano e o bilhete de entrada terá um valor igual ou superior a cinco euros, perspetivou Luís Aires-Barros.

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