Fomos estudar para o Porto ainda adolescentes. Começamos a viver (como habitação secundária) no Porto em anos diferentes. Encontrámo-nos muitas vezes pelos bares, discotecas e restaurantes da cidade Invicta. Não nos apaixonamos de imediato um pelo outro mas fomos criando, cada um à sua maneira, uma ligação muito forte ao Porto. Anos passaram-se e começámos a namorar com a Ribeira como testemunha. Razão mais do que forte para amarmos o Porto. Mas há muito mais para descobrir e por isso aqui ficam mais sete razões.

1 – A autenticidade


Mesmo que nunca tenham visitado o Porto, com certeza já ouviram falar das pessoas do Porto e do seu caráter. Tal como os seus habitantes, de personalidade vincada e “sem papas na língua”, também a cidade do Porto se apresenta assim, despida de artifícios e sem a pretensão de ser igual a nenhuma outra cidade europeia. Muitos consideram-na escura e suja, mas é aí que reside a sua verdadeira beleza, nessa autenticidade da cidade que se mostra a quem a visita, tal como é, sem esconder nem disfarçar a sua “pronúncia”. Ou se ama ou se detesta, mas ninguém lhe fica indiferente.

2 – A Gastronomia


Este é o momento em que todos os pensamentos estão sincronizados. Quem não está a pensar numa francesinha acompanhada de umas belas batatas fritas encharcadas de molho, que se acuse. Ir ao Porto e não provar francesinha é quase como ir a Roma e não ver o Papa. É uma iguaria que se encontra quase restaurante sim, restaurante sim, não terão dificuldade em completar este “must-do”, mas se querem uma dica, confessamos aqui que as nossas preferidas são as da Taberna Yuko, na Rua Costa Cabral. De qualquer forma, este ponto refere-se a gastronomia, pelo que seria redutor falarmos apenas de francesinhas. Nos últimos anos têm surgido na cidade inúmeros restaurantes, dos mais diversos estilos e conceitos, tornando a oferta cada vez mais apelativa e diversificada. Desde restaurantes de gastronomia regional a restaurantes gourmet, tapas, sushi, hamburguerias, há de tudo para todos os gostos e apetites… o difícil é mesmo escolher.

3 – A Diversidade


Passeios de barco pelo rio ou esplanadas à beira-mar. Subida ao topo da Torre dos Clérigos ou caminhadas pela zona ribeirinha. Arquitetura tradicional de edifícios estreitos e coloridos, como o bairro de Miragaia, ou arquitetura moderna e vanguardista, como a Casa da Música ou o Porto de Leixões. Lojas elegantes com marcas de renome internacional ou concept stores com artigos de design. Galerias comerciais ou mercados de rua. Piquenique no Parque da Cidade ou passeio com vista panorâmica pelos jardins do Palácio de Cristal. O melhor de tudo? Não precisa de escolher entre nenhum destes programas, pode fazê-los todos.

4 – Cultura e Entretenimento


Embora a maior parte dos grandes espetáculos do país aconteça em Lisboa, desengane-se quem pensa que no Porto se vive num marasmo. Há sempre alguma coisa a acontecer nesta cidade. É possível assistir a espetáculos de música, comédia, dança ou teatro, frequentemente, em vários espaços da cidade. Aliás, alguns festivais musicais são já uma referência a nível internacional, como o caso do NOS Primavera Sound.

Há também opções para os que preferem outras artes como pintura, fotografia e/ou escultura, com exposições regulares, entre outros locais, nas várias galerias da Rua Miguel Bombarda, no Instituto Português de Fotografia ou no Museu da Fundação Serralves. Neste último, destaque para o evento anual “Serralves em Festa”, que decorre geralmente em meados de maio, com entrada gratuita e 40 horas non-stop de concertos, exposições e outras atividades. Qualquer que seja a sua preferência, para que nenhum evento lhe passe ao lado, o ideal é consultar o site da Câmara Municipal do Porto.

Obviamente, este ponto não poderia terminar sem uma referência à maior festa da cidade, o São João, a 24 de Junho. Munam-se de martelos e alhos-porros e juntem-se à multidão crescente que a cada ano festeja o santo popular.

5 – Vida noturna


Como cidade universitária que é, não podia faltar ao Porto animação noturna à altura. Aqui a melhor recomendação que podemos dar é que se percam no centro do Porto. Comecem pela rua das Galerias de Paris e depois deixem-se ir aonde a movida vos levar, nem que isso signifique passar grande parte da noite na rua, em amena cavaqueira, com uma bebida na mão. E já que falamos de bebidas, deixamos uma sugestão: experimentem uma caipirinha de gomas, uma das opções da extensa lista de caipirinhas do CaipiClub. Gostem ou não, será algo que provavelmente não vão experimentar noutro sítio.

Continuando, o mais provável será acabarem a noite num dos clubes da zona, o Tendinha para os amantes do rock ou o Pitch, para os que preferem um estilo mais eletrónico, mas até lá haverá com certeza um bar com animação à vossa medida: para os que gostam de recordar os anos 80 (Galerias de Paris), para os que preferem ritmos mais comerciais e afro-latinos (Baixaria, Porto Tónico), para os que gostam de um estilo mais alternativo (Plano B), para os amantes de gin (The Gin House) ou para os que preferem os sítios da moda (Fé – Wine & Club).

Se não dispensam o fim de noite em discotecas, há também várias opções na cidade, mas já um pouco mais afastadas do centro, com destaque para a recente Kasa da Praia, na Foz, ou o Eskada Porto, na Rua da Alegria.

6 – A Vista


Há uma imagem inconfundível associada à cidade do Porto, que nunca deixará de nos deslumbrar: a vista da ribeira a partir de Gaia. É maravilhosa, tanto de dia como de noite, mas à noite é mágica, além de maravilhosa, com todas as luzes a cintilar sobre o Douro. Sim, somos suspeitos, adoramos as cidades à noite, quanto mais luz melhor, parece que é sempre Natal. Faz-nos felizes. Percorram o passeio pedonal da ponte D. Luís até à Serra do Pilar ou sentem-se na esplanada do hotel The Yeatman com um copo de vinho, do Porto claro, e sejam também felizes. É cliché mas é um cliché dos bons, daqueles que nos lembram o motivo porque gostamos tanto de viajar.

7 – Arredores do Porto


A proximidade da cidade a outros pontos de interesse turístico, bem como a grande acessibilidade em termos de transporte, é mais um ponto a favor do Porto. Para não nos alongarmos demasiado, deixamos aqui apenas duas recomendações de visita, de entre muitas possíveis e igualmente merecedoras.

Recomendamos a visita ao Douro vinhateiro e esta vamos decretá-la uma obrigação e não uma recomendação. Desculpem o autoritarismo, mas assim que lá estiverem até nos vão agradecer. São paisagens únicas e deslumbrantes, e as opções de hotelaria e restauração, bem como de visita a adegas e caves de vinho, não deixarão ninguém ficar mal. Se puderem, façam um cruzeiro no rio ou uma viagem de comboio na linha do Tua. É Portugal rural no seu melhor.

A segunda recomendação será para explorarem um pouco a costa a norte da cidade. São poucos os quilómetros que ligam o Porto a Ofir ou até mesmo Viana do Castelo, mas muitas as praias que podem visitar, algumas delas com excelentes condições para a prática de atividades aquáticas como o surf, bodydoard, kitesurf e paddlesurf, entre outros. Aproveitem e fiquem para almoçar. Vai ser difícil não se deixarem tentar pelo delicioso aroma de peixe grelhado que vão sentir por esses lados.