Quando se planeia fazer uma viagem longa como esta, com muitas horas de voo e à descoberta de um país, é muito importante informar-se antes de pisar territórios desconhecidos. Pelo menos é este o nosso lema.

Logo à chegada a Tóquio, apanhámos comboio até à estação Shinagawa e de lá até Hiroshima (TGV, 900 km em quatro horas), onde começamos verdadeiramente a nossa viagem. Todo o percurso foi feito de comboio com o passe para turista. Recomendamos vivamente pois a rede de transportes é a mais eficiente que já vimos e permite-nos chegar a todo o lado, seja de comboio ou metro. Este passe (comprar pela internet com algumas semanas de antecedência) funciona para vários transportes e, além de permitir a deslocação entre as várias cidades, também serve para utilizar o comboio dentro das próprias. É válido também para a viagem de ferry entre Hiroshima e Miyajima. Aqui fica o site para consultarem toda a informação.

Bom, comecemos então (verdadeiramente) a viagem.

Hiroshima/Miyajima

Em Hiroshima ficamos uma noite e um dia, que foi o suficiente para visitar o centro da cidade e a ilha de Miyajima (viagem de ferry é 10/15 minutos) e vale a pena a visita. Duas horas são suficientes para visitar os templos principais, dar uma vista de olhos pela ilha e conviver com os veados que por lá circulam livremente. Cuidado com tudo o que seja de papel, desde sacos a mapas, é para eles um petisco e quando derem por ela, as vossas compras ficaram para trás, caídas no chão porque a base do saco já está na barriga do veado.

Em Hiroshima visitamos o Memorial da Paz e o Castelo, recomendamos muito as duas visitas! As entradas são baratíssimas (entrada no Museu do Memorial da Paz custa algo como 50 cêntimos) e os dois monumentos são relativamente perto, pelo que dá perfeitamente para ir a pé e ao mesmo tempo explorando um pouco mais a cidade. Em Hiroshima ficamos hospedados perto do porto, mas não recomendamos, pois é um pouco afastado das atrações principais, pelo que o melhor é ficar na zona central. É a cidade onde estivemos com o alojamento mais barato, por isso encontram-se sítios bons e bem localizados a bom preço.

Osaka/Nara

De Hiroshima seguimos para Osaka, onde ficamos duas noites. Osaka é uma cidade muito grande portanto, em termos de alojamento, o ideal é ficar próximo de uma estação de metro ou comboio. Nós ficamos bem perto da estação central de comboio, o que facilitou a deslocação entre cidades.

Em Osaka visitamos o castelo, com uma zona envolvente bonita, tranquila e com imensos jardins para explorar. No interior do castelo a exposição não é tão interessante e interativa como a do Castelo de Hiroshima, mas vale a pena entrar e subir ao último piso para uma vista panorâmica da cidade.

Osaka
créditos: Volto Já

Depois da tranquilidade desta zona, nada como dar um pouco mais de agitação à vossa estadia em Osaka, por isso não deixem de conhecer a zona mais movimentada de lojas, restaurantes e bares: Shinsaibashi e Dotonbori.

No segundo dia em Osaka, saímos da cidade e fomos visitar o Parque de Nara (viagem de comboio de cerca de 45 minutos), que tal como o nome indica fica na cidade de Nara, uma cidade pequena mas carismática. O parque é lindíssimo, com uma área imensa, onde estão incluídos vários templos, mas o símbolo da cidade são mesmo os inúmeros veados que por lá circulam (diz-se que são mais de 1000). É possível interagir com os animais, vendem-se até biscoitos próprios para os alimentarmos, contudo é melhor não perturbá-los demasiado, porque, embora acostumados a conviver com turistas, podem ter comportamentos um pouco agressivos.

Destaque ainda para o Templo Todaiji, um templo de superlativos, pois além de ser o maior templo de madeira do mundo, alberga o maior Buda do Japão. Em contraste, existe uma coluna com um mini buraco no fundo, que, segundo a lenda, traz muita sorte a quem o conseguir atravessar.

Pode chegar-se a Nara rapidamente a partir de Osaka ou de Quioto.

Quioto/Arashiyama/Fushimi Inari-taisha

Depois de Osaka, fomos para Quioto, onde ficamos por mais duas noites, mas se pudéssemos ficaríamos talvez mais uma porque a cidade é muito bonita e nas imediações há também muita coisa interessante para visitar. Ficamos bem hospedados, bastante perto do centro, portanto para refeições e saídas andávamos sempre a pé. Além disso, tinha também pequeno-almoço incluído. Um pequeno-almoço tipicamente japonês, que até é giro experimentar: arroz e sopa miso, logo às 9h da manhã, comido com pauzinhos.

Em Quioto há imensa coisa para visitar, é preciso fazer seleção, mas o essencial é Gion, o distrito das gueixas, bastante mais tradicional com casas, ruas e comércios típicos e também bastantes ryokans que são os restaurantes tipicamente japoneses onde se come em salas privadas (têm que experimentar). Nós fomos a um excelente, chamado Senya-Ichiya. Quanto a templos, estes foram os que visitamos: Kiyomizu-dera, Kinkaju-ji e Ginkaku-ji.

Fora da cidade, mas bastante perto de comboio, em Arashiyama, é imperdível a floresta de bambus (espetacular!) e o Tenryu-ji temple (fica no caminho da floresta de bambus).

Ainda próximo de Quioto, mas noutra direção, existe o Fushimi Inari-taisha, um percurso de Toris de cerca de 2 Km pela montanha (imperdível, adorámos mesmo!). De comboio são cerca de 10 minutos e a estação de comboio é praticamente em frente à entrada do templo.

Tóquio

Depois de Quioto, a nossa última cidade: Tóquio, onde ficámos 5 noites mas a primeira noite foi mesmo só para dormir porque chegamos bastante tarde de Quioto.

No primeiro dia fomos observar o Monte Fuji. Na maior parte do ano não dá para subir até ao monte, sendo que o ponto de observação mais próximo e mais procurado é a vila de Hakone, que foi onde fomos. Aqui, além de passearmos um pouco pelos jardins e miradouros da vila, fizemos a excursão, que permite ver o monte de diversos pontos e perspetivas com percurso de barco no lago, teleférico, eléctrico e comboio. É um passeio muito bonito que ocupa um dia inteiro. O preço para este combinado de transportes é de cerca de 20 euros por pessoa, mas antes têm de lá chegar de comboio a partir de Tóquio.

Monte Fuji
créditos: Volto Já

Nos restantes dias em Tóquio, andamos pelos vários distritos da cidade. Visitem, pois são todos bastante diferentes: Shinjuku, Ueno, Asakusa, Ginza, Odaiba, Roppongi.

Visitámos o Tsukiji Market e tomamos lá pequeno-almoço de sushi como manda a tradição, mas não ficamos muito impressionados, embora a visita pelo mercado tenha sido super gira. Subimos à Tokyo Skytree, a torre mais alta de Tóquio, que recomendamos pois a vista é incrível. Também têm de visitar Odaiba e ver a réplica da Estátua da Liberdade e a Rainbow Bridge. Só a viagem até lá vale a pena, pois é feita numa espécie de skytrain informatizado, em que não é necessário condutor. Em Asakusa, visitámos um dos templos mais conhecidos de Tóquio, o Sensoji temple, e andamos pelas ruinhas do mercado, há imensas bancas de venda entre a estrada principal e o templo.

Visitamos também a Tokyo Tower, aquela que é réplica da Torre Eiffell, mas não subimos, pois já tínhamos subido à Skytree para vistas panorâmicas. Outro ponto de interesse é o Parque de Ueno. Tem imensas ruazinhas e o mercado de Ueno é enorme, faz-se óptimas compras lá (perfeitas para levar de recordação), pois como é menos turístico de que o de Asakusa, os preços são melhores.

A zona mais central de Tóquio é mais moderna, já faz mais lembrar cidades como Nova Iorque, mas é muito bonita e tranquila. Aí visitamos a estação de Tóquio, muito conhecida por ter uma arquitectura mais europeia, e o Palácio Imperial, aliás, os jardins porque não se pode entrar no Palácio. Ginza é o distrito mais cosmopolita, onde está situada a avenida das lojas de marca (o equivalente japonês à 5th Avenue). Para quem gosta de compras é essencial.

Não podem também deixar de ir a Shibuya, ver a passadeira mais movimentada do mundo. É mesmo à saída da estação e vão perceber logo onde estão. É aqui onde está também a famosa estátua do cão Hachiko. Dica preciosa: tomem um café latte e um muffin no Starbucks, onde podem apreciar calmamemente a agitação por debaixo dos vossos pés.

Tóquio
créditos: Volto Já

Quem viu o filme Lost in Translation acaba por querer ir ao bar onde os protagonistas se conhecem, o New York Bar. É no hotel Park Hyatt Tokyo, em Shinjuku, e como é num dos andares cimeiros tem também vistas bonitas. Se for antes das 20h não tem consumo mínimo. Muito próximo existe também o Metropolitan Government Building, que tem um observatório da cidade e é gratuito. Não é tão alto e não tem vista 360º, mas se andarem na zona não perdem nada em lá dar um saltinho.

Mais duas coisas para completar a experiência em Tóquio: Karaoke (há imensos por toda a cidade, fomos a um da cadeia Big Echo) e jogar máquinas arcade (tentem em Shinjuku e em Shibuya).

Informações sobre esta viagem:

Preço médio da refeição: 15/20 euros por pessoa, com entrada, sobremesa, copo de vinho e café. Podem encontrar refeições tipicamente japonesas mais baratas (5 euros), tanto ao almoço como ao jantar.

Orçamento para os dez dias: Aproximadamente 1400 euros para os dois.

Como chegámos lá: Avião da KLM (Lisboa-Amesterdão-Tóquio), comprado numa promoção da companhia holandesa por 470 euros.

Mês escolhido: Novembro/dezembro. Aqui não tivemos muita escolha, uma vez que devido à promoção tínhamos semanas específicas para marcar a nossa viagem. Contudo, ainda bem que assim foi, pois visitamos o Japão em pleno outono, o que se revelou uma experiência incrível! Recomendamos esta estação para viajar até lá.

Alojamento: Grand Prince Hotel Hiroshima, em Hiroshima, tendo custado 68 euros a noite, sem pequeno almoço. Hotel Consort, em Osaka, tendo custado 102 euros as duas noites, sem pequeno almoço. Toyoko Inn Kyoto Gojo-Karasuma, em Quito, tendo custado 147 euros as duas noites, com pequeno almoço. Hotel Lungwood, em Tóquio, tendo custado 312 euros as cinco noites, sem pequeno almoço.