Por: Ana Oliveira

Observar a Lagoa das Setes Cidades a partir de um dos inúmeros quartos do Monte Palace - ou das estruturas degradadas dos seus antigos quartos  - é como estar a apreciar um quadro vivo. As janelas, que enquadram perfeitamente a Lagoa, servem de moldura.

Entre o interior e o exterior não existe separação - foram-se os vidros da janelas. Sem vidros, sentem-se - a partir do Monte Palace - os cheiros da natureza ou a neblina frequente. O hotel está todo aberto. Já não tem portas e janelas, muito menos segurança.

Tinha sido inaugurado em 1989 e, tempo depois, dizem que após 19 meses, encerrou por falta de hóspedes. A maioria dos clientes da então luxuosa unidade hoteleira procurava apenas os restaurantes, os bares e a discoteca. Poucos dormiam no Monte Palace.

Entre 1990 e 2010, o hotel, que tinha mais de 80 quartos, dois restaurantes, bares e discoteca, teve segurança em permanência. Mal deixou de ser vigiado, em 2011, o Monte Palace foi saqueado. Todos os móveis, portas, e até sanitas foram levadas.

O que sobrou foi o que ninguém conseguiu levar. Ainda existem vestígios do luxo de outrora. Vê-se que a escada em espiral, à direita da entrada, vestia-se com uma carpete em amarelo. Em alguns dos espaços desenhados para serem casas de banho sobrou o resistente mármore do chão. Os restos dos espelhos, os pequenos pedaços espalhados no chão ou ainda pendurados na parede, criam um ambiente assustador para os mais supersticiosos.

Há curiosos em todos os pisos e em todas as divisões do esqueleto do Monte Palace. Uns a fotografar, outros apenas a observar aquilo que outrora foi grandioso.

Depois de ter sido saqueado e abandonado, a vegetação também começou a invadir o Monte Palace. Hoje, do Monte Palace, só se levam memórias, seja da paisagem apresentada logo à frente do edifício ou das ruínas daquilo que um dia já foi.

Há quem diga que o Monte Palace nasceu fora do seu tempo. Que hoje talvez a sua história fosse diferente. Nunca saberemos.

Em 2015, foi comprado por um grupo de investidores estrangeiros por cerca 380 mil euros, mas nada mudou. Está, desde o ano passado, à venda no OLX e no Imovirtual por quase 1,5 milhões de euros.

Com futuro incerto, a unidade serve atualmente de miradouro, mas também de cenário para filmes e intervenções artísticas. Para muitos é ponto de paragem obrigatório.


O SAPO Viagens visitou a ilha de São Miguel a convite do Centro Regional de Atividades Criativas dos Açores (CRACA)