Sexta à tarde em Braga


A imponente Sé de Braga é um local imperdível. Trata-se da catedral mais antiga de Portugal e o centro do turismo religioso da zona. Reserve umas boas duas horas para apreciar o altar, a capela gótica e os azulejos. A cruz usada por Pedro Álvares Cabral encontra-se guardada no seu interior, juntamente a outras relíquias de grande importância religiosa. Para visitar o coro e as capelas tem de comprar uma visita guiada por 2 euros.

Usufrua o resto da sua tarde na parte exterior da Sé – é limpa, organizada, fácil para caminhar e repleta de lojas e cafés cheios de charme. Se o tempo o permitir, perca-se pelas ruas e praças desta linda cidade. O terreno é bastante plano e pode, inclusivamente, alugar uma bicicleta – procure o Go by Bike.

A Fonte do Ídolo existe desde os tempos romanos. O Museu Dom Diogo de Sousa é o sítio a visitar no que diz respeito à arqueologia, pois irá ver peças únicas, que vão desde o período Paleolítico até aos séculos V e VII, altura em que os Visigodos ocuparam a região. O Museu de Biscainhos vale a pena pela sua pela sua sumptuosidade – um palácio repleto de tesouros romanos e belíssimos azulejos.

Sé de Braga
Sé de Braga créditos: Raquel N. Rodrigues

Depois de descobrir antigos tesouros, pode ir ao GNRation, um espaço que exibe exposições de arte moderna, espetáculos de jazz e peças de teatro. Termine a sua tarde com uma paragem na livraria Centésima Página, que fica dentro de uma casa de estilo barroco, ou vá tomar chá com biscoitos às Cores do Chá. Também pode optar por uma prova de vinhos da região nos Encantos da Minha Terra. Mas não se esqueça de guardar espaço para o jantar!

No Norte de Portugal comer muito e bem é quase uma obrigação moral. Tem muitas escolhas, mas a minha sugestão para o seu primeiro jantar vai para a Taverna do Migaitas. Pode encomendar um dos muitos pratos disponíveis, ou passar algumas horas a provar todo tipo de deliciosas porções de queijo, presunto, bacalhau e por aí fora. Não se esqueça de pedir vinho verde: este pode ser branco (leve, fresco e ácido), ou tinto (forte e muito escuro, eu adoro ). Para acabar a noite experimente um Chip&Tonic na Casa das Sombras, junto à Sé.

Sábado


Comece o dia com uma ida a uma pastelaria, prove alguns bolinhos e acompanhe com um galão. A seguir, dirija-se ao único Parque Nacional de Portugal, o Peneda-Gerês. Foi criado em 1971, e vai desde a cordilheira da Serra do Gerês até à Serra da Peneda, na fronteira com Espanha. O parque tem imensos trilhos bem sinalizados com um nível de dificuldade baixa. Algumas estradas romanas ainda estão em uso, com minaretes escondidos pelo caminho. A entrada mais próxima à Braga é em Terras do Bouro.

Gerês
Uma das vistas do Peneda-Gerês créditos: Emanuele Siracusa

Já está com fome? Então chegou a altura de atravessar a albufeira de Vilarinho das Furnas e subir a estrada até encontrar uma pequena aldeia chamada Brufe, onde poderá gozar de uma deliciosa refeição. O restaurante de lá chama-se O Abocanhado e está construído com rochas e madeira, completamente integrado na vista, com um grande painel de vidro com vista para o vale.

O bacalhau é muito bom, mas recomendo que experimente a carne vermelha acompanhada de legumes. E claro, o vinho tinto combina bem. Termine a refeição com uma das sobremesas feitas pela dona Maria Helena. E, se o tempo o permitir, observe as bonitas montanhas e tire uma sesta à sombra das árvores. Espanha encontra-se a uma distancia de 20 minutos e a região do Douro está a oeste. Um conselho: telefone para o restaurante antes de aparecer para confirmar se está aberto, pois durante o inverno pode haver alterações.

Domingo


Comece o dia com um café no charmoso Lusitana, num jardim perto da Avenida Central. É um dos mais antigos cafés de Braga. Se tiver sorte de apanhar o primeiro domingo do mês, visite a Feira da Velha (mercado de pulgas) logo ao início da manhã. Utilize este mapa para localizá-la – não é muito fácil de encontrar.

Pode também aproveitar o período matinal para ver o belo Mosteiro de Tibães, a cinco minutos de carro de Braga. O mosteiro do século XI é hoje em dia utilizado para a realização de eventos especiais e festas, e incluí uma igreja, um restaurante de charme e um pequeno hotel com nove quartos. Antes do almoço, vá à escadaria do Bom Jesus do Monte, um santuário do século XVIII. Se não tem nenhuma promessa para cumprir, salte a longa escadaria e use o elevador, um dos poucos do mundo a funcionar através da força da água, construído em 1882.

Bom Jesus
Bom Jesus créditos: DR

Se o tempo estiver bom, aproveite os espaços verdes à volta do Bom Jesus e faça um piquenique, como fazem as famílias locais. Para isso, deve ir munido do farnel e um bom local para comprá-lo é no Mercado da Saudade, especializado em produtos portugueses. Ou pode despedir-se de Braga com um almoço na grandiosa Pousada Mosteiro de Amares – a menos de meia hora de carro dali.

Como se orientar e onde ficar em Braga


Não existem ligações para estes locais de comboio e os autocarros também são poucos. É fácil, por exemplo, ir de Braga ao Bom Jesus ou a Tibães de autocarro, mas nos Gerês só se consegue chegar às aldeias de carro. O que recomendo é que alugue um carro para explorar a região.

Braga é a terceira maior cidade de Portugal e tem hotéis para todos os bolsos e gostos. Como a vida aqui gira em torno do centro da cidade, sugiro que fique num hotel próximo da Sé. Para o meu fim de semana escolhi o Bracara Augusta, no centro histórico da cidade, mesmo ao lado da livraria Centésima Página. Os quartos são pequenos mas confortáveis e com umas bonitas janelas para a praça. O restaurante é bastante bom, e pode tomar o pequeno-almoço no jardim, mesmo se não estiver lá hospedado.

Aviso: Este artigo tem como base um texto da escritora brasileira Gaía Passarelli, escrito durante uma viagem à região do Minho, como convidada do MinhoIn e Cunha Vaz & Associados. O artigo original está aqui.