Em Portugal, há três comunidades judaicas activas: em Lisboa, Porto e Belmonte. A de Lisboa é a maior e a que tem mais significado histórico é a de Belmonte porque deram continuidade à sua identidade religiosa de forma secreta.

Belmonte
Porta da Sinagoga créditos: Who Trips

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Torá no Museu Judaico de Belmonte créditos: Who Trips

Foi a única comunidade judaica que, desde a expulsão de judeus e muçulmanos (em 1496) e a vigilância da inquisição, se manteve até aos dias de hoje. E muito devido à tradição oral e ao papel da mulher, porque eram elas que mantinham as práticas judaicas e as transmitiam aos filhos quando estes já tinham idade para saberem guardar segredo.
Os membros da comunidade casavam entre si, não tinham contactos com judeus no exterior e adaptaram alguns rituais como o Natalinho para não serem descobertos.

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Símbolo judaico no jardim da Sinagoga créditos: Who Trips

A comunidade de Belmonte conseguiu manter este segredo, mesmo muito depois da extinção da Inquisição e da instituição de um Estado laico com a implantação da República.

O caso ganhou notoriedade há cerca de 100 anos com Samuel Schwarz, quando escreveu o livro Os cristãos-novos em Portugal no século XX, e ainda hoje Belmonte é visitada por muitos estrangeiros.

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Museu Judaico créditos: Who Trips

Regina Pinto, do Museu Judaico, fala com muitos deles e refere que os visitantes revelam sempre muita curiosidade em perceber como a comunidade judaica guardou este segredo, como conseguiram sobreviver.

A comunidade foi reconhecida oficialmente há três décadas (em 1989), hoje já pratica o judaísmo ortodoxo e tem um rabino e uma sinagoga.
Algumas pessoas que se convertem ao judaísmo dão aqui os primeiros passos e o processo é finalizado em Israel.

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Cruciformes nas paredes das casas usadas por judeus créditos: Who Trips

Apesar desta história única em Portugal e de os judeus serem a alma de Belmonte, a comunidade judaica corre o risco de se extinguir. Há três anos eram quase 130 pessoas, agora são 55.

O “retorno à Terra Prometida” incentivado por Israel, o desemprego na região de Belmonte e a consanguinidade são alguns dos motivos que levam os judeus a serem uma comunidade cada vez mais pequena.

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Sinagoga Bet Eliahu (filho de Elias) créditos: Who Trips

Além do Museu Judaico, único em Portugal, inaugurado em 2005, pode-se ainda visitar a Sinagoga Bet Eliahu (filho de Elias), inaugurada em 1996, com marcação prévia e toda a zona da antiga judiaria que está no centro histórico.

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Área da judiaria créditos: Who Trips

Hoje, esta área está confinada entre a Rua Direita e Rua Fonte da Rosa. Algumas das casas têm marcas da presença de judeus, em particular cruzes nas ombreiras das portas e algumas estão sinalizadas. A maior parte das casas têm duas portas, uma estreita, que servia de entrada para a residência e outra mais larga para a loja de comércio ou oficina.

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Estátua de Pedro Álvares Cabral créditos: Who Trips

Uma ida Belmonte implica também a descoberta dos Cabrais, em particular de Pedro Álvares Cabral que nasceu aqui e é o motivo da visita de muitos brasileiros.

O segredo de Belmonte faz parte do podcast semanal da Antena1 Vou Ali e Já Venho e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, O segredo de Belmonte, pode ouvir aqui.