Rui nasceu em 1982, na aldeia de Picote, no concelho de Miranda do Douro, onde aprendeu as onomatopeias da segunda língua oficial portuguesa: o mirandês. Licenciou-se em engenharia de telecomunicações e informática e, com uma carreira de sucesso no ramo das telecomunicações, decidiu colocar tudo em stand by para partir à descoberta do mundo durante um ano e partilhar a aventura através do seu site - Mal Parado - e das redes sociais.

"Este sonho nasceu ao acompanhar outras viagens e através das desenroladas histórias de livros que fui lendo. Quis, também, fazer uma pausa no rodopio da cadeira giratória do escritório e arranjar novas formas de movimentação durante os dias - andar, passear, excursionar - e aprender outras coisas que variam um sem número de vezes mais, e mais rápido, que num dia normal", contou ao SAPO Viagens.

"Entrei na sala e, ao invés de um aumento, pedi tempo."

Rui sentiu que era o momento de realizar o sonho antigo e, para isso, abandonou a carreira sólida e a vida estável para partir à aventura. "Profissionalmente disse que precisava de tempo. Entrei na sala e, ao invés de um aumento, pedi tempo. Para conhecer culturas, pessoas e lugares é preciso tempo. Tempo para experimentar fusos horários diferentes. Tempo para uma liberdade com experiências menos coadas. Tempo para mais conversas de sopé com gente desconhecida. Tempo para outras culturas trazerem peças que possam fazer parte do meu puzzle. Tempo até para descobrir qual a forma mais feliz de passar tempo".

Para financiar este projeto trabalhou bastante, desde muito cedo, e durante alguns anos, fora de Portugal "o que permitiu engordar um pouco o porquinho de porcelana". Em paralelo, fez alguns investimentos e trabalhos freelancer na área do copywriting.

O roteiro da viagem foi criado com o objetivo de tentar seguir o sol o máximo tempo possível e, por isso, Rui iniciou a viagem em janeiro, no hemisfério sul. O primeiro país visitado foi a Argentina, antes de partir para a Antártida. A rota e as datas estão definidas, mas não são imutáveis. "Dependem sempre, entre outros, das pessoas que se cruzam, do budget que não temos ou do pé que se torce."

Para para encurtar a distância temporal e geográfica e incentivar outras pessoas a viajar mais, Rui decidiu partilhar as suas aventuras no site Mal Parado e também no Instagram  com o mesmo nome. "É importante, também, passar mensagens de sustentabilidade e outras que façam despreconceitualizar situações para não cairmos na falácia dos Persas que achavam que só quem está perto de nós, na vizinhança, é que faz as coisas corretamente", acrescenta sobre as suas motivações de partilhar a aventura online.

Para o futuro, não faz planos: "O importante, em qualquer aventura, é não nos intrujarmos a nós próprios. Não vale a pena batermos bolas contra pinhais. Depois desta viagem logo sentirei qual será o melhor caminho para deixar a marca do meu copo."

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