A galeria, no Fairmont Maldives Sirru Fen Fushi, inaugurada em julho, contava com exposições semi-submersas que desapareciam e reapareciam à medida que a maré subia e descia.

Mas Abdulla Yameen, o presidente das Maldivas, lar de 340 mil muçulmanos sunitas, ordenou que as esculturas fossem destruídas. O islamismo, a religião oficial do país, proíbe a representação de ídolos e o trabalho provocou algumas críticas por parte dos clérigos, embora as estátuas não contenham nenhum símbolo ou significado religioso.

Yameen deu a ordem em julho, mas a decisão só foi posta em prática na última sexta-feira, na véspera das eleições presidenciais, que ele acabou por perder. A obra, conhecida como Coralarium, foi projetada pelo artista britânico Jason deCaires Taylor e permitia aos hóspedes do resort nadar da costa até o reino subaquático de figuras com forma humana.

A estrutura da galeria funcionaria como um espaço abrigado para a vida marinha, como peixes, crustáceos, polvos e invertebrados e à noite um sistema de luzes iluminava a galeria e atraía a vida marinha, criando uma vista impressionante.

No entanto, Yameen disse, em julho, que a opinião do público em geral contra a obra de arte conhecida como "Coralarium" o tinha levado a tomar a decisão de destruí-la. Não está claro por que motivo as esculturas não foram tiradas da água até esta sexta-feira, apenas dois dias antes de Yameen ser retirado do poder.

As autoridades foram fotografadas a destruir as obras com picaretas e a usar ferramentas elétricas para removê-las da grande e ornamentada gaiola que as abrigava. O artista DeCaires Taylor declarou à AFP: “Fiquei extremamente chocado e de coração partido ao saber que as minhas esculturas foram destruídas pelas autoridades das Maldivas, apesar das contínuas conversas. O Coralarium foi concebido para ligar os seres humanos ao meio ambiente e para ser um espaço estimulante para a vida marinha prosperar. Nada mais."

Um porta-voz do Fairmont Maldives disse: "Embora muito surpresos com a repentina remoção de peças de eco-arte pelas autoridades, nós respeitamos as pessoas, tradições e costumes das Maldivas. O processo de remoção da obra de arte foi pacífico e amigável, sem afetar o nosso trabalho com os turistas." A estrutura de galeria do Coralarium, no entanto, permanece intacta, garantindo que o programa de restauração de corais continue.

A importação de estátuas é proibida nas Maldivas. Mesmo representações de Buda são proibidas, apesar do longo legado do budismo nas ilhas, antes do islamismo dominar o arquipélago.

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