O Glore Psychiatric Museum em St. Joseph, Missouri, EUA, era um hospital conhecido como State Lunatic Asylum No. 2. Este lugar era um hospital psiquiátrico e as coisas que aconteciam lá eram tão assustadoras quanto possam imaginar.

O propósito do Glore é mostrar o período de 130 anos do prédio como instituição mental administrada pelo governo e, através dessa história, a partir de 1874, a evolução e a progressão do tratamento da doença mental nos EUA. Infelizmente, a saúde mental nem sempre foi um assunto abordado com sensibilidade e, por essa razão, grande parte de sua história é moralmente questionável e o museu é um excelente exemplo disso.

O museu carrega o nome de George Glore, um funcionário que trabalhou durante 41 anos no Departamento de Saúde Mental de Missouri. Glore era um estudante de história que desenvolveu um programa no asilo, onde os pacientes criaram instalações de arte que replicavam dispositivos de tratamento de saúde mental dos séculos XVI, XVII e XVIII. Pode-se argumentar que pedir a doentes mentais para recriar os mecanismos torturantes antes usados para "tratá-los" é tudo menos ético, mas foi isso que Glore fez e é isso que o museu, agora, mostra. Com o tempo, o governo decidiu expandir o programa e os pacientes passaram a fazer as suas próprias criações independentes como forma de terapia. As replicas e as criações independentes, juntamente com mecanismos de tratamento reais, compõem o espólio do museu.

O prédio original de asilo faz, agora, parte da prisão da cidade, mas uma secção do asilo que inclui uma morgue - que já foi totalmente operacional - abriga o museu e o seu conteúdo.

Algumas das peças mais chocantes incluem instrumentos de lobotomia, as ferramentas devastadoras usadas nas décadas de 1940 e 50 para incisar e raspar o lobo pré-frontal do cérebro no "tratamento" cirúrgico da doença mental. O procedimento, que muitas vezes foi realizado sem o consentimento do paciente, era feito para acalmar a mente, mas muitas vezes acabava por levar os pacientes de volta ao estágio infantil.

Outros dispositivos incluem uma câmara de madeira chamada The Wheel, que era basicamente uma passadeira cercada por paredes nas quais os pacientes eram trancados por médicos, e a infame cadeira tranquilizante.

Há também pinturas e formas mais tradicionais de arte feitas pelos pacientes no seu programa de terapia de arte. O que talvez seja a exibição mais surreal é um mosaico composto de 1.446 alfinetes, botões, pregos e outros objetos não comestíveis, todos removidos, ao longo do tempo, do estômago de uma paciente que sofria de um distúrbio compulsivo da deglutição. A mulher fez o mosaico com todos esses objetos, talvez como terapia para ajudar a lidar com a doença.

mosaico
créditos: wiki commons

O estudo e tratamento da doença mental tem um passado sombrio, e o Glore coloca isso em evidência. Também lembra aos visitantes que a arte pode proporcionar esperança e cura. É um lugar sombrio, mas as lições aprendidas aqui são instigantes e importantes. Uma experiência fascinante e enriquecedora, apesar da tristeza e do terror presentes em cada canto.

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