O cemitério está localizado em Testaccio, ao sul do Fórum e do Coliseu, e contém os restos mortais de quase 4 mil pessoas, a maioria britânicos. Em 1738, George Langton, um graduado de Oxford de 25 anos, tornou-se o primeiro ocupante do cemitério. As regras da Igreja Católica Romana proibiam os não-católicos no Estado Papal de serem enterrados numa igreja católica ou em terra consagrada, então outro local de descanso tinha que ser encontrado para eles. Com poucas exceções, os não-católicos foram enterrados à noite para não ofender os cidadãos católicos.

Depois de Oscar Wilde visitar o Cimitero Acattolico, em 1877, escreveu ao reverendo John Page Hopps: "O túmulo de Keats é um outeiro de relva com uma lápide simples e é, para mim, o lugar mais sagrado de Roma" (The Letters of Oscar Wilde, 1962). O poeta inglês John Keats tinha sido enterrado ali em fevereiro de 1821.

O também poeta Percy Bysshe Shelley tinha enterrado o seu filho, William, de três anos no Cimitero Acattolico, em 1819. No prefácio de Adonais, a elegia de Shelley a Keats, escreveu: "O cemitério é um espaço aberto entre as ruínas, coberto, no inverno, com violetas e margaridas. Pode tornar alguém apaixonado pela morte, pensar que alguém deveria ser enterrado num lugar tão doce." Apenas 23 meses após a morte de Keats, as cinzas de Shelley também foram colocadas no cemitério.

O cemitério é, também, um santuário para gatos semi-selvagens que costumam deitar-se nas sepulturas. Alguns gatos permanecem indiferentes, enquanto outros vão de encontro aos visitantes esfregando-se nos tornozelos. Situado na base da pequena Pirâmide Cestial do cemitério, o santuário de gatos é administrado por um grupo de voluntários dedicados da associação I gatti della Piramide. Em 2018, o fotógrafo alemão Uta Süβe-Krause publicou um livro com fotos dos cerca de 30 gatos do cemitério.

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