Veijo Rönkkönen era um um homem solitário, prisioneiro do seu trabalho, que passou os seus dias entre a fábrica de papel, onde trabalhou durante 41 anos, e a sua quinta, escondida numa floresta finlandesa. Segundo os relatos, ele não gostava de falar com pessoas e nunca fez uma aula de arte na vida. Quando morreu, em 2010, descobriu-se que Rönkkönen tinha coberto as suas terras com cerca de 550 esculturas, naquele que é, basicamente, um museu ao ar-livre. Quase todos representavam figuras humanas: pessoas de todas as idades e etnias, congeladas em momentos de brincadeira, atletismo e até agonia.

Rönkkönen nasceu em 1944, na aldeia rural de Parikkala, na Finlândia, a apenas quatro minutos de carro da fronteira russa. Aos 16 anos, começou a trabalhar numa fábrica de papel local. Ele terá usado o primeiro salário para comprar sementes de maçã e um saco de cimento. Foi a partir daí que terá nascido o estranho jardim de esculturas, que desenvolveu durante 50 anos.

Atualmente, oito anos após a morte de Rönkkönen, o Jardim de Esculturas Veijo Rönkkönen permanece intacto e atrai cerca de 25 mil visitantes anualmente. Os visitantes dirigem-se ao local para explorar a paisagem sinistra da propriedade, onde figuras de cimento empoleiram-se ao longo de estradas de terra, equilibram-se em poses de ioga e ficam congeladas em cantos escuros do outro lado da floresta.

Ao entrar no jardim de Rönkkönen, os visitantes são recebidos por uma multidão heterogénea de figuras. Entre elas está uma freira, um homem sem camisa com um vestido tradicional finlandês, um menino de macacão e uma mulher com um elegante chapéu.

O jardim abriga também esculturas de jovens saltitantes e outras em que homens e mulheres realizam as atividades diárias. Noutra escultura, um menino inclina-se contra uma árvore e um olhar mais atento revela que está a ser açoitado por um homem. Alguns têm bocas cheias de dentes humanos, que parecem sorrir para os visitantes. Outros têm alto-falantes dentro, que murmuram sons incompreensíveis. Há até uma área que abriga 255 figuras quase nuas a praticar ioga, que era um dos hobbies de Rönkkönen.

Os estudiosos não sabem muito sobre as intenções artísticas de Rönkkönen, apenas que a sua arte nunca parou.

Pode ver mais fotos das esculturas no Flickr do fotógrafo Ilkka Jukarainen.

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