Saímos de Kandy ontem de manhã de autocarro. Ao chegarmos ao terminal de autocarros havia que encontrar o autocarro correcto. Isto, no meio de um caos de autocarros, tuk-tuks, uma chuva que ameaçava começar a cair em força a qualquer minuto, dezenas de pessoas por todo o lado e uma estrada que já viu melhores dias. E eu a adorar cada minuto. Adoro estes ambientes aparentemente caóticos onde, no fundo, existe uma organização bem definida. Fomos perguntando e lá encontrámos o autocarro que nos levaria a Dambulla, mais a Norte. A viagem foi rápida e tranquila, apesar da chuva nos ter acompanhado o caminho todo. Duas horas depois chegávamos ao nossos destino e à guesthouse (Sevonrich Holiday Resort) reservada nessa mesma manhã, ainda em Kandy.

Nesse mesmo dia, depois de termos feito check-in, ainda houve tempo para visitar a maior atracção de Dambulla: o Golden Temple. A entrada faz-de normalmente pela estrada principal. A partir daí, há que subir uns 100 metros através de 1 larga escadaria até às grutas no topo da colina. Felizmente, o dono da guesthouse deu-nos boleia até uma outra entrada alternativa, poupando-nos a essa subida. A grande atracção são as cerca de 157 estatuetas inseridas em 5 grutas diferentes, dentro de uma enorme rocha. É bem capaz de ser um dos templos budistas mais fascinantes que já visitei, pelo ambiente, pelo facto de estar localizado dentro de uma gruta e pelo fantástico pormenor do detalhe das pinturas no teto, que acompanham as curvas da rocha.

Golden Temple
Golden Temple créditos: Joland

No regresso à guesthouse (que fizemos a pé, já que ficava a apenas 600 metros de distância), ainda fomos arrastados com os restantes hóspedes para ver o pôr-do-sol numas rochas aqui perto, pelo dono da guesthouse. Não houve muito sol para se pôr, mas a vista não deixou de ser magnífica na mesma.

No mesmo dia ainda acabámos por arranjar uma forma de irmos a Sigiryia e a Polonnarwua nos dois dias seguintes, de tuk-tuk. Começámos hoje de manhã por Sigiryia. Partida às 08h da manhã. Pelo caminho o condutor foi parando nalguns sítios especiais como um lago enorme onde só estávamos nós presentes.

O bilhete de entrada em Sigiryia não é barato. São 30USD (cerca de 26€). Apesar de me ter contorcido um pouco ao início com o valor, saí de lá com a certeza que tinha sido dinheiro bem gasto. É uma estrutura enorme, formada a partir de magma expelido de um vulcão hoje extinto, onde no topo, a 360 metros de altura, se encontram os vestígios de um palácio, varias fortificações e canais de água. Cheguei até lá acima com as perninhas a tremer, confesso. Não sei se sou eu que estou em baixo de forma ou se aquilo é mesmo difícil, mas quase deitei os pulmões pela boca, carambas!

Tudo acabou por valer a pena quando vi aquela vista de tirar o fôlego. Quilómetros e quilómetros de vegetação abundante, de natureza no seu estado puro para qualquer lado que se olhasse. Que país magnífico…

Sri Lanka paisagem
créditos: Joland

A rocha é conhecida por “Lion’s Rock” (rocha do leão), pelo facto da sua entrada ter sido construída em forma de leão. No entanto, apenas as suas 2 patas enormes se mantêm intactas na base. O resto do leão já não existe hoje em dia.

Descemos a rocha e está na altura de procurar um sítio para almoçar, já que é preciso recuperar as forças depois daquela odisseia. O condutor do tuk-tuk faz o que lhe compete e tenta levar-nos a um dos restaurantes mais turísticos (e caros) da zona. Entramos, vemos o menu, dizemos muito obrigada e pedimos ao condutor para seguir para outro local mais barato. Leva-nos à segunda escolha. Igualmente turístico, igualmente caro. O processo repete-se: entramos, vemos o menu, dizemos muito obrigada e, desta vez, há que insistir com o condutor que o que se quer mesmo é um sítio local, com comida local, a preços locais. Parece que agora sim: acaba por nos levar a um sítio chamado “Chooti Restaurant”. Comida local, ambiente local, preços locais. Perfeito.

No regresso à guesthouse, passámos por uma série de outros sítios a que nunca chegaríamos se estivéssemos sozinhos. Um lago/canal com crocodilos, uma estupa (monumento budista) perdida no meio do mato, mil e um outros locais perfeitos para tirar mais fotos à "Lion’s Rock", iguanas, macacos no meio da selva, plantas letais e árvores milenares. Ir de tuk-tuk foi, sem dúvida, a melhor decisão que poderíamos ter tomado.

Amanhã seguimos de novo de tuk-tuk para Polonnarwua, uma zona histórica, a cerca de 60 quilómetros de Dambulla, para vermos as ruínas daquela que foi em tempos a segunda capital do Sri Lanka, criada durante o século XII.

Entretanto vou só ali até ao vale dos lençóis porque já estou um pouco farta de levar com insectos de todas as espécies e feitios possíveis na testa, aqui no alpendre do quarto.

Até já!

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