Colónia nunca foi um destino que me chamou muito a atenção, havia outras cidades alemãs que sempre me atraíram mais, mas um grupo de amigos estava a planear um fim de semana nesta cidade e acabaram por convencer-me a ir também. Em boa hora o fizeram.

Chegamos a Colónia numa noite de sexta-feira para partirmos no domingo. Foi pouco tempo, mas nem por isso deixou de ser intenso e divertido.

Nós não tínhamos um itinerário planeado. Preferimos descobrir a cidade com liberdade, sem horários, parando nos lugares que mais nos agradavam.

Colónia
créditos: The Travellight World

No sábado de manhã começamos o dia caminhando ao longo do Rio Reno. Rapidamente, encontramos a bonita Igreja de São Martinho, uma igreja católica construída sobre as ruínas de uma capela romana.

Ao lado da igreja estava o Fischmarkt (mercado do peixe), uma das poucas áreas da Colónia medieval que sobreviveu até aos dias de hoje. A cidade foi fortemente bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e estes coloridos edifícios góticos foram dos poucos que conseguiram escaparam à destruição.

Atualmente, esta zona é uma mistura encantadora de guesthouses, restaurantes e bares.

Colónia
créditos: Pixhere

Atravessamos o rio na ponte Hohenzollern, popularmente chamada de Ponte dos cadeados, por causa das centenas de cadeados aqui pendurados por casais de namorados, como símbolo do seu amor eterno.

Regressamos à margem e continuamos a percorrer o centro histórico. A próxima paragem foi a espetacular Catedral de Colónia — Património Mundial da UNESCO e o segundo edifício mais alto da cidade.

Colónia
créditos: Pixhere

Com milhões de visitantes todos os anos, a catedral de Colónia é uma das principais atrações turísticas da Alemanha e não é difícil de perceber porquê. No século XII, supostas relíquias dos Três Reis Magos foram transferidas para aqui a partir de Milão e transformaram a catedral num importante centro de peregrinação. A velha catedral não comportava tamanha afluência e uma nova teve de ser construída.

Concluída em 1880, a atual Catedral alberga no seu interior objetos de inestimável valor, como um bastão e uma corrente, que supostamente terão pertencido a São Pedro e a Cruz de Gero — o mais antigo exemplar conhecido de um crucifixo, produzido no norte da Europa.

Os vitrais, os entalhes em madeira e as pinturas do século XIV merecem igualmente destaque.

Uma torre com mais de 500 degraus conduz os corajosos à melhor vista panorâmica da cidade. É um esforço subir, mas vale a pena. A vista lá de cima é deslumbrante!

Cansados depois de tanto exercício, resolvemos parar numa brauhaus (cervejaria) para comer algo e provar a cerveja local.

Colónia
créditos: The Travellight World

O centro histórico de Colónia está repleto destas cervejarias tradicionais que no início do século XIX começaram a vender cerveja, nos seus pátios, diretamente ao público. Com o passar dos anos, estes bares improvisados evoluíram para os atuais modernos restaurantes, mas nunca perderam o seu charme rústico.

Uma característica especial das brauhaus de Colónia é que os seus nomes são habitualmente escritos em kölsch, o dialeto local.

Continuamos a deambular pelas redondezas da Catedral, a seguir ao almoço e eu tive uma inesperada surpresa: na rua Glockengasse, encontrei o lugar onde, em 1792, a icónica água de colónia nº4711 foi criada. Hoje o espaço é uma loja e um interessante museu.

Colónia
créditos: House of 4711

Os amigos que me acompanhavam não tinham como saber, mas esta fragrância era (e ainda hoje é) uma das minhas mais gratas memórias de infância. Era o perfume que a minha mãe usava quando eu era criança.

Bastou uma pequena pulverização e eu dei por mim a ser transportada para o momento em que a minha mãe me dava as boas noites e me aconchegava na cama. A sensação de calor e de conforto foi imediata e a felicidade que senti também.

No museu aprendi que a água de colónia original foi criada pelo italiano Johann Maria Farina no início do século XVIII e que o nome foi, evidentemente, uma homenagem à cidade alemã que ele escolheu para morar.

A Eau de Cologne era um perfume fresco e suave que lembrava, segundo o seu criador, uma “manhã italiana de primavera”. Foi graças a este aroma que Colónia ficou conhecida, entre os séculos XVIII e XIX, como a “Cidade da Fragrância”.

A composição exata do Nº4711 ainda é um segredo bem guardado, mas na loja, se quisermos, podemos experimentar criar o nosso próprio perfume.

Johann Maria Farina é homenageado pela cidade de Colónia através de uma estátua que adorna a torre da câmara municipal.

Colónia
créditos: The Travellight World

Tive oportunidade de ver essa estátua no dia seguinte quando visitamos a Rathaus (Câmara Municipal), um edifício conhecido pela sua bonita fachada renascentista e pela sua torre em estilo gótico, com 130 estátuas de pedra e o famoso Platzjabbeck, uma escultura de madeira que abre a boca e estende a língua quando o relógio da torre bate as horas.

Visitamos ainda o Museu do Chocolate e o Belgisches Viertel ou Bairro Belga — assim chamado por todas as suas ruas terem nomes de cidades belgas. É um lugar bom para fazer compras e tem lojas únicas onde o lema é “qualidade em vez de quantidade”.

Encontramos tudo, desde joias a roupa, sapatos e acessórios de moda. Também abundam por aqui bares, cafés e restaurantes, que servem bem e irradiam charme.

Sem darmos por isso, infelizmente, o nosso tempo na cidade acabou e chegou a hora de ir para o aeroporto... Mas não sem antes comprar um frasco de Nº4711 — a minha mais doce recordação de Colónia.

Aproveite os voos diários da TAP e descubra você também esta fantástica cidade alemã.

Texto: The Travellight World

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