Estes campos de trabalhos forçados - chamados gulags na União Soviética - estavam espalhados pelo deserto da Sibéria e os prisioneiros foram forçados a trabalhar numa linha de comboio planeada por Estaline - a Ferrovia Salekhard-Igarka. Os gulags, parte de uma rede de mais de 100 espalhados pela Rússia, foram fotografados pelo fotógrafo da Nova Zelândia Amos Chapple, do Radio Free Europe.  As imagens de Chapple servem como um lembrete arrepiante do passado da Rússia. Uma fotografia particularmente esclarecedora mostra celas de punição com portas revestidas a metal. Chapple contactou um sobrevivente do projeto da ferrovia, Aleksandr Snovsky, que lhe disse que era ali que os prisioneiros famintos recebiam apenas 200 gramas de pão e uma caneca de água por dia.

Enquanto pesquisava, Chapple leu relatos chocantes de sobreviventes que mostravam as condições desumanas dentro dos gulags. Num depoimento, um prisioneiro descreveu a punição por tentar fugir,  que envolvia ser amarrado nu a um mastro para que os insectos lhe sugassem o sangue. Aparentemente, após duas a três horas, a perda de sangue faria com que o prisioneiro perdesse a consciência e até acabasse por morrer. Outro prisioneiro descreveu que atirava garrafas de sémen para o quartel das mulheres. As mulheres tentariam engravidar para, assim, evitar o regime de trabalho duro.

Quando Lenine morreu em 1924 e Estaline subiu ao poder, os gulags tornaram-se cada vez mais difundidos. Entre 1929 e o ano da morte de Estaline, em 1953, 18 milhões de pessoas foram transportadas para campos de trabalhos forçados - muitas delas para nunca mais voltar.

Chapple encontrou também alguns artefactos, como um frasco usado para armazenar carne de porco cozida e também uma máscara usada pelos prisioneiros para evitar queimaduras na cara. Estes gulags estão abertos a quem os queira visitar, sem ser necessário permissões. O que é interessante, mas ao mesmo tempo geral alguma ansiedade, uma vez que ocorrem com frequência roubos de alguns objectos.