Realizado em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de São Vicente, a iniciativa, que conta com o dstgroup como mecenas, em rede com a mosaic e a zet gallery, insere-se no SUSHI, projeto de adaptação climática, que envolve seis centros históricos da Europa do Sul, sendo a equipa de Lisboa constituída pela Lisboa E-Nova e pela FCT/UNL. O projeto cobre a área histórica de Alfama e Graça e está focado na resolução dos desafios ambientais e socioeconómicos que têm conduzido a um processo de gentrificação, desertificação e descaracterização do bairro.

Alberto Rodrigues Marques, Henrique Palmeirim e Hugo Castilho, recém-formados pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, foram os artistas convidados para colocar em marcha esta intervenção artística que tem como propósito a dinamização do espaço público, no estreito diálogo com a comunidade de moradores, sem-abrigo e turistas que o habitam quotidianamente. Os artistas criaram um espaço artístico único dividido em quatro atividades-chave - explanar, extender, extrapilhar e expectar. O projeto parte de uma “esplanada” criada na escadaria da Calçada do Cascão e pode ser visto até ao final do ano de 2020.

"Recorrendo, simbolicamente, a andaimes cedidos pelo dstgroup, os artistas criaram uma instalação que circunda a fonte da escadaria da Calçada do Cascão, numa espécie de esplanada ou um novo ponto de encontro (ainda que condicionado nos tempos que vivemos) para os diferentes membros da comunidade. Os andaimes foram pintados de branco e cobertos com pedaços de lonas publicitárias, agora reutilizadas, e que assumem a forma de peças de roupa maximizadas e ajustadas à plasticidade dos artistas", explica Helena Mendes Pereira, curadora e diretora da zet gallery.

"O objetivo é incentivar a recolha e partilha de roupa em segunda mão, reduzindo a produção e o impacto da indústria têxtil. Simbolicamente, estabelece-se também uma ligação aos estendais de roupa, forma sustentável da gestão quotidiana, ao contrário das soluções mais tecnológicas, e que se constituem como uma marca identitária de várias cidades e muito em particular de centros históricos como Lisboa, como Alfama", acrescenta.

O projeto partiu assim do conceito “explanar”, partindo depois para o “extender”, levando a intervenção às ruas, becos e vielas da Calçada do Cascão como um estendal gigante. "A ação exigiu a colaboração da comunidade na cedência de pontos de apoio para este grande estendal e no recurso às suas janelas e varandas", revela a curadora, que aponta o passo seguinte "do grande estendal partimos para uma ação que escuta o bairro, usando o trapilho para desenhar funções ou infraestruturas que a comunidade tenha interesse em ver alterados ou construídos, tais como um corrimão para apoio aos mais velhos ou um cesto de basquete que faça a delícia dos mais novos."

"Extrapilhar" é o terceiro acto desta intervenção na Pólis: "Numa fachada emparedada, que pode simbolizar o ponto suspenso de tantos outros edificados urbanos, os nossos artistas contarão uma história e darão a vida do interior de uma casa: juntarão vida ao bairro, cidade à cidade", sublinha Helena Mendes Pereira, finalizando que “São Vicente Cá Fora conclui-se, assim, com expectar: uma pintura mural que recupera o branco já usado na uniformização dos andaimes e que depois se adensa com a cor em elementos simbólicos e que procuram transmitir algumas das mensagens do projeto ambiental, propriamente dito.”

O projeto, executado durante cinco semanas, liga assim os conceitos de arte, sustentabilidade, criatividade e inovação e pretende sensibilizar para desafios urbanísticos, climáticos e de circularidade local, tomando-se a arte como ação comunicante e potenciadora do envolvimento das comunidades nas causas que são de todos.

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