Depois de muitas tentativas mal sucedidas, o navio submerso foi finalmente redescoberto na costa de Cartagena, Colômbia, em 2015. A recente operação de resgate para recuperar os milhões de euros em tesouros a bordo do galeão reacendeu o debate sobre quem tem o direito de reivindicar riquezas escondidas no mar, com vários lados diferentes disputando a propriedade do saque perdido.

O San José foi um galeão, de 64 canhões, da Marinha Espanhola, que foi lançado em 1698. Dez anos depois, o navio foi atingido na Batalha de Barú (também conhecida como Ação de Wager) e afundou  perto de Cartagena - junto com a enorme carga de ouro, prata e esmeraldas. As estimativas do valor do tesouro perdido no San José variaram drasticamente ao longo dos anos, mas as estimativas mais recentes apontam para que o valor do tesouro submerso seja aproximadamente de 14 mil milhões de euros, de acordo com uma notícia publicada no site Culture Trip.

Naturalmente, as promessas de tais riquezas perdidas despertaram as paixões dos caçadores de tesouros, governos e cidadãos particulares. No complicado caso de San José, as riquezas são reivindicadas pelo Estado espanhol e colombiano, em primeiro lugar. Embora a Marinha da Colômbia e a Instituição Oceanográfica Woods Hole tenham encontrado os destroços em águas colombianas, a Espanha ameaçou defender os seus interesses na ONU, se não for possível chegar a um acordo com a Colômbia. O debate sobre a propriedade é altamente complexo: por exemplo, enquanto o proprietário original do navio tem o direito viável de reivindicar a propriedade do seu conteúdo, esse direito pode ser suplantado pelo país que detém as águas em que o navio foi descoberto - neste caso, a Colômbia.

Action off Cartagena, May 28, 1708
Um quadro retrata o naufrágio do San José créditos: Samuel Scott/Wikipedia

As águas estão ainda mais turvas pelo debate sobre quem são os donos originais do ouro, da prata e das esmeraldas em questão. O império espanhol tinha uma rica tradição de pilhagem do Novo Mundo, e grande parte da riqueza que financiou o Renascimento foi tirada dos povos indígenas da América do Sul. Grande parte do tesouro de San José consiste em moedas de ouro e prata - ouro e prata que foram tirados, principalmente, das minas de Potosí, na Bolívia. A Bolívia, portanto, também poderia ter uma reivindicação razoável, e acredita-se que até 8 milhões de indígenas tenham morrido nas minas durante essas escavações.

Cartagena, uma cidade que guarda histórias de tesouros e pilhagens

Os tesouros retirados de pilhagens têm uma longa história na América do Sul, e parte dessa história pode ser vista em Cartagena, na Colômbia.

Cartagena é uma cidade portuária que os espanhóis usaram como principal centro de coleta e transporte do ouro da América do Sul para a Europa. A bela cidade, à beira do oceano, conta com com fortalezas e armas que foram usadas para a proteger contra piratas e outras ameaças interessadas nas riquezas.

O Castelo de San Felipe está aberto aos visitantes que desejam explorar os túneis e canhões subterrâneos usados ​​durante as batalhas violentas para defender a cidade e o tesouro. O Museu do Ouro de Cartagena exibe esse ouro pertencente ao povo indígena que habitou a região, antes da chegada dos espanhóis.

Qualquer pessoa com interesse em história marítima também pode visitar o Galeon Bucanero, um museu interativo localizado num galeão no porto, ao lado da Cidade Velha de Cartagena.

Embora a localização precisa do galeão afundado de San José continue em segredo, a Colômbia anunciou planos para exibir, pelo menos, parte do conteúdo do navio num museu especialmente construído para isso, em Cartagena.

Daqui a alguns anos, os visitantes poderão ver as riquezas do San José com os próprios olhos, no novo museu dedicado a preservar o tesouro perdido com o navio há mais de 300 anos. Em primeiro lugar, resta saber se a operação para salvar o tesouro será bem sucedida e quem, finalmente, será capaz de reivindicar o maior tesouro  submerso já descoberto.

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