Paula Carvalho, de 27 anos, trabalhava há 5 anos numa loja de móveis, quando viu um filme que lhe haveria de mudar a vida. O filme Comer, Orar e Amar deu-lhe a ideia: porque não largar tudo e partir à descoberta? E foi assim que Paula pediu licença sem vencimento e passou quatro meses a viajar pelo sudeste asiático.

A experiência de viajar sozinha foi tão positiva que quando voltou a Portugal, Paula sabia que nada seria como antes. Assim, decidiu abandonar de vez o emprego, pediu demissão e prepara-se para voltar a viajar para conhecer melhor o país que mais gostou de visitar: Myanmar.

"Pedalar no Myanmar por entre templos foi das melhores coisas que fiz e que mais adorei fazer. A calma e beleza da paisagem circundante fazem do Myanmar um ótimo local para o fazer. Dei por mim a dizer isto mesmo, quando contava aos meus amigos como foi a viagem e como o Myanmar foi o meu país favorito", explica Paula.

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Assim nasceu a ideia de voltar a Myanmar para conhecer o país numa bicicleta portuguesa. No entanto, sendo Myanmar um país cerca de sete vezes maior do que Portugal, percorrê-lo de uma ponta à outra de bicicleta seria inviável. Assim, surgiu uma parceria com a Ympek, que está a desenvolver uma bicicleta dobrável - a Ympek Surfing - que irá acompanhar Paula na viagem. Desta forma, Paula poderá explorar as cidades a pedalar a sua nova bicicleta e, quando precisar percorrer distâncias maiores, poderá, simplesmente, guardá-la na bagagem.

O plano inicial de Paula é passar por Mandalay, Min Kun, Ava, Sagaing, Pindaya, Mount Popa, Bagan, Mindat e Mrauk-U, onde irá vivenciar o modo de vida de forma genuína.

"Irei tentar ver os nossos antepassados portugueses: os Bayingyi. Os Bayingyi descendem de portugueses que ficaram cativos na antiga Birmânia após o rei Anaukpetlun ter derrotado Filipe de Brito em 1613, tendo alguns traços ocidentais como olhos e pele mais clara." A viagem será financiada por Paula e a nível de alojamento conta com uma parceria com uma cadeia Italiana de Hostels, Ostello Bello.

Em relação à situação do povo Rohingya, que tem vindo a sofrer perseguições, Paula explica que quando esteve no Myanmar não teve a percepção do que se estava a passar, uma vez que " essa perseguição é numa zona específica do país mais perto da fronteira com o Bangladesh" da qual não se aproximou da primeira vez que visitou o país. "Não me senti insegura nem tão pouco assisti a situações de insegurança", esclarece Paula em declarações ao SAPO Viagens. No entanto, nesta viagem planeia visitar Mrauk-U, que é uma cidade mais próxima da zona de conflito e onde, durante algum tempo, foi proibida a entrada de turistas devido às questões de insegurança vividas. As coisas mudaram e Paula já foi informada pelo Turismo do Myanmar que a rota está aberta aos turistas.

"Não sei dizer se a situação está mais calma, mas é obvio que acho esta perseguição um ato repudiável. No entanto não podemos generalizar e achar que os birmaneses são todos assim. Eu pelo menos, e só posso falar da minha experiência, não senti que isso tivesse afetado a minha viagem nem deixei de os achar pessoas muito simpáticas."

A aventura começa ainda em novembro - assim que a bicicleta estiver terminada - e estará no país cerca de um mês. No blogue While You Stay Home e no Instagram, Paula vai continuar a partilhar as suas aventuras no Myanmar e o quão incrível é andar de bicicleta pelo país.

Também pode acompanhar as aventuras de Paula aqui no SAPO Viagens.

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