A Câmara Municipal de Ílhavo promove a partir de amanhã, dia 23, a terceira edição do Festival Gastronomia de Bordo, uma iniciativa que homenageia cozinheiros, pescadores e tradições de pesca do Município de Ílhavo, através da confeção ou da reinterpretação dos sabores da culinária praticada, ao longo dos tempos, a bordo dos grandes navios da pesca do Bacalhau. O evento que se estende até 22 de novembro propõe, durante cinco fins-de-semana, experiências gastronómicas relacionadas com o bacalhau e seus derivados, com preços que variam entre os 15 e os 60 euros, para uma ou duas pessoas.

Inserida na triologia de festivais com o mesmo nome, que decorrem também em Peniche e na Murtosa, municípios que se uniram no projeto cultural em rede “Territórios com História: o Mar, as Pescas e as Comunidades”, a edição deste ano traz algumas novidades, entre as quais se destaca o alargamento do festival a 21 restaurantes ilhavenses.

O alargamento do período de realização do festival para um mês, que agora passa a funcionar de sexta-feira a domingo , durante cinco  fins de semana, é também outra das novidades, a que se junta a apresentação do livro de receitas ‘Gastronomia de Bordo’, editado pela Câmara Municipal com curadoria gastronómica da chef Patrícia Borges, e que assinala o Dia Nacional do Mar, data que se celebra a 16 de novembro.

Experiências gastronómicas para todos os gostos

Cada “Experiência Gastronómica de Bordo” é composta por, no mínimo, três pratos de bacalhau e seus derivados, numa combinação de entradas ou pratos principais que prometem desafiar os paladares mais exigentes. A variedade de propostas é ditada pela criação dos 21 restaurantes que se juntaram à iniciativa e que convidam a subir a bordo de um receituário rico em sabores e tradições. Nas entradas há, por exemplo, pataniscas, caras fritas, chora, línguas de bacalhau fritas, ceviche de bacalhau, feijoada de samos, ovas e bolinhos de bacalhau, entre tantas outras iguarias que despertam os sentidos e elevam a experiência sensorial dedicada ao rei dos Mares.

Os pratos principais também variam de restaurante para restaurante, com a feijoada de Samos ou de Sames a assumir lugar de destaque. Há ainda bacalhau frito, assado, guisado e confitado com roupagens reiventadas por cada um dos chefs, chora de bacalhau, caldeirada de línguas, sames de bacalhau com grão, arroz de línguas com grelos, massada de línguas e cevadoto de sames. Seja qual for a preferência, aconselha-se reserva com 24 horas de antecedência.

Descobrir o território, os locais e as tradições

Além das propostas gastronómicas também será possível viajar pelo território para descobrir os locais emblemáticos das pescas e conhecer as tradições, crenças e até a inovação em torno dos pescadores, dos cozinheiros da pesca e das empresas de produção e de transformação alimentar e dos seus produtos. Para isso, o município de Ílhavo lançou o programa “Sentidos do Mar”, que convida a diferentes experiências de conhecimento, entre as quais a visita à Liporfir,SA, uma empresa familiar de transformação alimentar de bacalhau, onde será possível a perceber como são tratados os alimentos, e em especial o bacalhau, referência maior da portugalidade. As visitas são gratuitas e decorrem nas manhãs dos 30 de outubro e 6, 13 e 20 de novembro.

Há ainda a visita  "Sentidos de Mar" que propõe uma caminhada de cerca de 15 minutos pelo porto bacalhoeiro - passado e presente e uma degustação, acompanhada por um convidado que acompanha desde criança a evolução desta indústria. A visita tem um custo de 8 euros e está sujeita a reserva.

Do programa faz ainda parte um passeio de bicicleta às hortas do mar e da mar, localizadas na “Colónia Agrícola da Gafanha”. Na primeira será possível observar a produção de plantas e de flores comestíveis, particularmente apreciada por chefs de cozinha para a conceção de novos e arrojados pratos, e, na segunda, conhecer o processo de “cultivo” de ostras, instalada nas águas da ria. A visita inclui degustação da "folha de ostra", vegetal, e a própria ostra, o bivalve.

Ílhavo e a “Faina Maior”

O Município de Ílhavo tem uma longa história associada à pesca do Bacalhau: a "Faina Maior". Pescadores e marinheiros, ao longo dos tempos, viajaram em navios, primeiro à vela e depois a motor, até aos mares do norte, nas costas do Canadá e da Gronelândia para capturar, principalmente, o bacalhau-do-Atlântico (o Gadus Morhua).

Nestas campanhas de pesca, que chegavam a demorar seis meses, os cozinheiros tentavam atenuar o cansaço e a saudades da família com comida reconfortante, como a chora, uma sopa preparada à base de cabeças de bacalhau. Também faziam parte do cardápio as feijoadas ou o feijão assado, o “pão da pana”, o “queque dos domingos”, entre outros pratos que incluíam as partes então consideradas "menos nobres" do bacalhau e também conhecidas como "derivados": caras, línguas, samos e espinhas, entre outras. A culinária dos navios bacalhoeiros esteve sempre condicionada pelos meios disponíveis a bordo (e desde logo com a introdução do frigorífico, apenas na década de 30 do século XX) e as técnicas de conservação dos alimentos que, em cada época, era possível ter a bordo.

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