É óbvio que quem o diz não tem o hábito de viajar com crianças ou tem mesmo curiosidade. Basta ouvir a palavra "viagem" e até quem não se interessa pelo assunto e não gosta de viajar acaba por ter curiosidade pela atração em querer estar sempre a partir para outro lugar. Mas não somos todos iguais e há diferentes tipos de viajantes e de não viajantes.

Há pessoas que não suportam aeroportos, que estão mais preocupadas com os mosquitos do que com a paisagem e que se sentem completamente perdidas sem os seus objetos pessoais. Estas pessoas não tiram nenhum prazer de sair da sua rotina. É melhor ficarem em casa.

As pessoas que vão sem os filhos são umas valentes - é a nossa opinião sincera. As que vão sem os filhos e que assumidamente voltam bem mais descansadas e com outro ânimo para enfrentar o dia a dia e a cabeça mais aliviada do stress. Estas sim, fazem valer a pena as férias só com adultos.

Há outros pais que não conseguem levar as crianças mas também não conseguem ir sem elas. Nunca é uma satisfação a 100%. É um remendo.

E há quem pense mesmo que é mais proveitoso levar as crianças. Nós somos parte dessa grande família. E felizmente conhecemos muitas pessoas que pensam igual. O nosso filho é o centro da nossa vida. Não há como não ser. E este centro ia ficar em casa e perder toda a diversão? Não nos parece.

Quando olhamos para fotos ou relembramos viagens, é com muita dificuldade que trazemos à memória situações menos boas que tenham acontecido. Talvez esquecer facilmente coisas más seja uma característica pessoal. Mas, quando esta pergunta/afirmação nos é atirada, os argumentos saem de seguida.

Porque viajar com as crianças? Não se vão lembrar de nada!

Vão lembrar. Há coisas que ficam sempre

Quem não se lembra de ir passear na infância? Nem que fosse um dia ao Alentejo ou umas férias no Algarve?

Fica lá qualquer coisa. Com crianças pequenas (pela nossa experiência) o que fica marcado é o seu desenvolvimento pessoal e cognitivo. É com muita frequência que ouvimos várias alusões a coisas que se passaram em viagem, por exemplo: “Mamã, calça-me para eu não pisar bichos” (Moçambique); “Não quero ir à escola, quero ir à piscina grande” (Malásia); “Este é o porco, a galinha e a vaca. Eu vi vacas!” (Açores). E outros tantos exemplos. Com o passar dos anos e novas viagens, muita coisa se esquece, mas as vivências ficam.

As crianças agem com naturalidade para com as pessoas de etnias diferentes, com comidas diferentes, com camas diferentes. Com muito mais naturalidade, do que os adultos, espantosamente.

O nosso pequeno viajante já percebe que férias são os dias em que não vai a escola e que está o papá e a mamã. E isso fá-lo ficar muito feliz. Não é um bom motivo para o levar?

Todos estão mais disponíveis

O facto de terem os pais todo dia a dar atenção sem horário, sem correrias e sem stress faz com que as crianças também absorvam esta disponibilidade. Aprendem mais, escutam mais e choram muito menos.

Brincam mais

Porque não têm televisão ou um quarto cheio de brinquedos, a imaginação começa a funcionar. Até parece que se entretêm mais.

Colocar a criança com outras crianças de outros países ajuda a criar formas para comunicarem, que não só a linguagem. E não é que funciona?

Quanto mais viajarem, melhores viajantes serão

É um ótimo treino para as regras. Há regras que não podem ser quebradas, ponto. Começa no cinto de segurança do avião e prolonga-se para saber estar num restaurante ou saber esperar numa fila gigante de imigração.

É um bom treino para ajustar ansiedades e ensinar a ser paciente. Quanto mais praticar, mais fácil será.

Leia também: 10 passos para criar um bom viajante

Rede de suporte

Quem leva as crianças, logo percebe que atrai a simpatia das pessoas locais. Se um adulto fizer um pedido estranho no hotel, recebe um olhar franzido, mas se disser que é para a criança, recebe toda a simpatia e disponibilidade.

Ter as crianças faz-nos aproximar dos locais (se não forem do género de fazer logo amigos), porque temos de ir a uma mercearia local procurar bolachas de morango, ou pedir a um estranho que nos deixe pôr a criança a fazer xixi em sua casa. Um sem número de ocasiões em que nos aproximamos naturalmente dos locais.

Não fica a sensação de ter deixado um braço em casa

A criança veio. Veio também as preocupações, os medicamentos, o brinquedo, a almofada. Perfeito! Nada ficou para trás. Descanse a alma.

O perigo

Um dia, um colega disse-nos: “Esperei tanto por este filho e Deus me livre que lhe aconteça alguma coisa! Vai tu para esses sítios”. Por termos engravidado em 2 semanas, não quer dizer que possa levar o meu filho para uma zona de guerra, porque num instante faço outro…

Quem protege melhor o nosso filho somos nós e, com todos os cuidados, vamos dar-lhe aquilo que ele não aprende em casa: experiências multi-culturais.

Seguros, vacinas, profilaxias, repelentes, medicamentos, capacetes e etc. fizeram-se para usar. Vamos embora!

O que acham que vem na bagagem dos turistas que visitam Portugal? Vacina do tétano, repelente, boné, protector solar +70, sapatos para não cortar os pés com conchas, medicamentos para diarreias. Já moramos num local turístico, certo?

Crianças com experiências

O que vivem com 1 ano vai influenciar fortemente as suas acções com 2 anos, e por aí fora, por toda a vida. E quando forem adultos vão trazer toda esta bagagem, mesmo que não se lembrem.

Quantos mais locais tiverem visitado, mais criativas e adaptadas estas crianças serão. Mais confiantes e menos medrosas. Não têm medo do desconhecido porque lhes foi transmitido que o desconhecido não é mau. É só diferente.

Há adultos que não viajam porque têm medo de provar comidas diferentes. Nós queremos isso para o nosso filho?

Não é caro

Caros são medicamentos, doenças, psicólogos, playstations e afins.

Há imensas formas de viajar barato em família. Companhias aéreas low cost, promoções, caravana, cartões de milhas, etc.

Leia também: Porque não sobra dinheiro para viajar em família?

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Artigo originalmente publicado no blogue Onde andam os Duarte?

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