Então o que a transformou no símbolo da cidade onde foi construída, Pisa, e talvez do próprio país?

A torre começou a ser construída em 1173, tendo sido projetada para abrigar o sino da catedral. Os três primeiros andares ainda mal tinham sido terminados e já uma ligeira inclinação se notava no edifício. O verdadeiro problema foi o tipo de solo onde foi erigida, que por ser constituído essencialmente de areia e argila, não teria firmeza suficiente para sustentar uma obra daquela dimensão. Conclusão, parte do terreno começou a afundar, levando consigo as fundações da torre.

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De forma a tentar disfarçar a inclinação, o engenheiro encarregue do projeto apareceu com uma ideia genial, achou ele. Só que não. Ao tentar construir os restantes cinco andares ligeiramente mais altos do lado em que a torre afundou, compensando a altura perdida com o afundamento, conseguiu apenas que o excesso de peso enterrasse ainda mais o edifício. E assim ficou, apesar das várias tentativas pra resolver o problema, levadas a cabo ao longo dos séculos.

Devido a este contratempo, a obra demorou cerca de 150 anos a ser concluída, tendo passado pelos mãos de três engenheiros, Bonanno Pisano, que construiu os três primeiros andares, Giovanni di Simone que a elevou até ao sexto andar e Tommaso Pisano, que a concluiu em 1319.

No século XX a torre passou a inclinar-se cerca de 1,2 milímetros por ano, obrigando ao seu encerramento em 1990, devido ao risco de desmoronamento. Várias soluções foram estudadas para resolver ou pelo menos minimizar problema e a solução encontrada, apenas em 1997, revelou-se bastante simples mas eficaz. Consistiu na retirada de terra do lado inclinado e reforço das fundações da torre com placas de chumbo. Cerca de 23 milhões de euros e 4 anos foram gastos neste processo, para que , finalmente, em dezembro de 2001, o monumento fosse reaberto ao público.

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Apesar desta obra, a torre mantém-se inclinada, embora de forma menos acentuada, medindo atualmente 55,86 metros no lado mais baixo e 56,70 metros no lado mais alto. No seu interior contam-se 296 e 294 degraus (a escadaria norte do sétimo andar tem dois degraus a menos).

Se quiser visitar este monumento, o melhor é comprar a entrada antecipadamente através da internet, uma vez que só é permitida a entrada a cerca de 30 pessoas a cada 20 minutos. O bilhete tem o custo de 18€ e permite aceder aos restantes monumentos inseridos na Praça dos Milagres, nomeadamente a Catedral, o Batistério, o cemitério e dois museus.

Se achar que subir quase 300 degraus não é tarefa para fazer nas férias, deixe-se ficar pelo exterior, mas não venha para casa sem fazer uma foto da praxe a ‘empurrar’ a torre que é Património Mundial da UNESCO desde 1987.