Genebra é um lugar institucional, sede europeia das Nações Unidas e outras organizações internacionais. Mas esta é também uma das cidades mais verdes da Europa, repleta de parques públicos, jardins e espaços verdes com vista para o grande lago e para as montanhas em redor.

Horas floridas

A primeira paragem será quase de certeza o Jardin Anglais (“Jardim Inglês”) situado no centro da cidade, na margem do Lago Genebra, também conhecido como Lago Léman. Este parque foi construído em meados do século XIX no local onde antes se encontrava um porto industrial.

O jardim contém uma das maiores atrações turísticas da cidade, o famoso Horloge Fleurie, um relógio feito de flores, que acaba por ser um tributo à fama da Suíça como o país dos relojoeiros. A escultura vegetal é composta por 6500 flores vivas e inclui um relógio verdadeiro cujo ponteiro dos minutos atinge os 2,5 metros de comprimento. O Horloge Fleurie dá as horas — e atrai curiosos — desde 1955.

A partir do Jardin Anglais tem também uma vista privilegiada para outra das grandes atrações de Genebra: o Jet d'Eau, uma fonte localizada no meio das águas do lago cujo repuxo chega a atingir 140 metros de altura.

Estudantes, xadrez e a Vieille Ville

No centro, podemos passear na zona histórica de Genebra, conhecida como Vieille Ville (Cidade Velha). Após caminhar pelas ruas e visitar a Catedral de Saint-Pierre, pode descobrir um refúgio para estudantes e amantes de xadrez: o Parc des Bastions. Foi construído no século XVIII numa área que antigamente correspondia aos limites das muralhas da cidade. O jardim está localizado nas traseiras da primeira Universidade de Genebra e chegou a ser um jardim botânico, facto que explica a existência de várias espécies de plantas e árvores não-europeias.

Uma gigantesca sequóia ergue-se em direção aos céus perto do Muro dos Reformadores. Um monumento em baixo relevo com 100 metros de comprimento, dedicado ao teólogo João Calvino e outros nomes ilustres que fizeram de Genebra uma capital da reforma protestante. As atrações incluem ainda uma área de jogos de xadrez com grandes peças. Como seria de esperar, o local é frequentado por amantes da modalidade, que se desafiam continuamente.

Na margem do lago

Sendo o objetivo dos parques proporcionar um ambiente relaxante e refrescante, é natural que a maioria deles se encontre perto da água.

Na zona do Quai Gustave Ador existem mais locais que pintam a margem do Lago Léman com verde e outras cores floridas. O Parc La Grange, com um espaço verde com cerca de 12 quilómetros quadrados, contém o maior jardim de rosas da cidade. O jardim alberga ainda o Teatro Verdure, onde é possível assistir a concertos ao livre durante o verão.

Bem perto do La Grange podemos também passear pelo parque Eaux Vives, situado numa colina que inclui um castelo datado século XVIII e que hoje alberga um restaurante.

Ao passar pelo centro do rio Ródano, que atravessa a cidade e o lago, entramos na Île Rousseau. Esta pequena ilha contém um parque bastante frequentado pelos habitantes de Genebra, com uma bela vista da paisagem e um restaurante.

A cereja no topo do bolo é a famosa Pérola do Lago — ou La Perle-du-Lac, uma das mais concorridas zonas verdes da cidade. Localizado no lado oeste do Lago, este parque foi batizado pela mulher de Hans Wilsdorf, fundador da empresa de relógios Rolex. Situado numa zona privilegiada onde já se descobriram restos arqueológicos de uma villa romana, a Pérola inclui jardins, pistas e estradas para ciclistas e várias zonas onde é possível relaxar à sombra de grandes árvores.

O local também proporciona uma esplendorosa vista panorâmica do Lago, da cidade e da paisagem montanhosa. Durante o verão, os visitantes podem aproveitar a animação cultural que inclui cinema ao ar livre. No Parc Moynier, um jardim adjacente, é possível ainda visitar o Museu da História das Ciências.

A visita pelas numerosas paisagens verdes de Genebra não ficaria completa sem uma passagem pelo Parque Ariana, construído entre 1877 e 1884 pelo mecenas e colecionador Gustave Revilliod de la Rive. Após a sua morte, a propriedade passou a estar aberta ao público, bem como o Museu Ariana, contendo a extensa coleção de cerâmica e obras de arte do patrono.

Esta área verde é conhecida pela sua extensão (45 hectares) e biodiversidade, bem como importância histórica: aqui situa-se o Palácio das Nações, sede das Nações Unidas em Genebra. Na Praça das Nações Unidas, frente ao Palácio, encontramos vários monumentos dedicados à paz, como a Cadeira Partida — uma escultura de 12 metros de altura, criada pelos artistas suíços Daniel Berset e Louis Genève, que presta homenagem às vítimas de minas e bombas de fragmentação.

Um dia no campo
Por esta altura, deve ser já bastante claro que Genebra não é propriamente uma cidade suja, industrial ou stressante… mas caso deseje afastar-se um pouco do ambiente urbano, nada como seguir para o Bois de la Bâtie (Bosque de Bâtie), uma floresta de 20 hectares onde se situa um refúgio para a vida selvagem. Os visitantes são convidados a observar a natureza no pequeno jardim zoológico local e nos trilhos e caminhos disponíveis. Vários restaurantes com mesas ao ar livre permitem um serão agradável e relaxante.

Se quiser um espaço verde de maiores dimensões, dirija-se ao Parc Pré Vert du Signal de Bougy, cerca de 40km a norte. São 110 hectares de mata, pequenos lagos e charcos, e vistas panorâmicas sobre Genebra, o Lago e as montanhas. Bastante acolhedor para famílias — aqui existem áreas de piqueniques, zonas desportivas, uma escola de golfe com percurso de 18 buracos, áreas de observação de animais e organização de passeios, música ao livre e outras atividades para crianças.

Os adultos mais aventureiros poderão arriscar um dos vários percursos e trilhos na floresta!