De tempos em tempos uma companhia aérea anuncia um novo recorde em número de horas de voo. A última a fazê-lo foi a Qatar Airways em fevereiro deste ano. São cerca de 17 horas e 30 minutos dentro de um Boeing 777-200LR percorrendo uma distância de mais de 14 500 quilómetros de Doha, no Qatar a Auckland, na Nova Zelândia.

Realizar um voo de longa duração pode causar borboletas no estômago dos mais aventureiros, mas operações como estas criam vários desafios às companhias aéreas. Atualmente, várias aeronaves desenvolvidas pela Airbus ou Boeing já conseguem suportar longas distâncias e serem ao mesmo tempo rentáveis, mas ainda não foi encontrada a fórmula certa.

Ainda assim, Pere Suau-Sanchez, investigador, explica à CNN, que "os avanços na produção de aeronaves tornam possível operar lucrativamente algumas rotas de longa distância que antes eram impensáveis". Por exemplo, um novo Boeing poderá vir substituir a aeronave da rota Doha-Auckland em 2020, tornando a rota ainda mais eficiente. Ao mesmo tempo, a forte procura de viagens aéreas em todo o mundo parece justificar os sucessivos investimentos das companhias nesta área.

Eficiência energética


Acompanhar a evolução tecnológica acarreta, no entanto, enormes custos e consequências, nomeadamente nos regulamentos e sistemas de certificação. Atualmente, existe um limite máximo de tempo de voo até ao aeroporto mais próximo em caso de desvio, no caso dos aparelhos comerciais bimotores. Algumas companhias conseguem contornar esta questão, por exemplo adquirindo aparelhos com motores cada vez mais eficientes.

O desenvolvimento de aparelhos mais eficientes e económicos cria condições cada vez mais favoráveis à criação de um mercado low-cost para viagens de longo curso. A Level e a Norwegian Airlines prevêem, aliás, começar a operar em rotas transatlânticas ainda este ano. Do mesmo modo, a Ryanair está a pensar no assunto.

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O que não significa que este ainda seja um campo lucrativo para as empresas. Em 2013, a Singapore Airlines pôs fim à mais longa rota comercial aérea até então: Singapura-Nova Iorque. Os baixos lucros parecem ter estado na origem da decisão.

Miquel Ros, consultor e blogger de aviação, explica na CNN que tal poderá estar relacionado com os os elevados custos de combustível. Apesar de os voos serem atualmente menos dispendiosos para as companhias - longas distâncias e elevadas altitudes tornam os motores mais eficientes e menos aterragens e descolagens permitem reduzir os custos operacionais e de manutenção - , a quantidade de combustível gasta numa viagem de 14 horas é colossal. Um fator onde ainda há melhoramentos a fazer.

Uma experiência agradável para os passageiros?


Um aspeto menos tido em conta parece ser o bem-estar dos passageiros. Algumas companhias ainda parecem ignorar a falta de conforto numa viagem de longa duração ou pouco fazer para minimizar os efeitos do jet lag.

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Apesar dos constantes aperfeiçoamentos nos bancos, estar sentado durante 17 horas num avião ainda está longe de ser a mais agradável das experiências. A humidade é outro problema que pode causar desconforto aos passageiros. "Os efeitos da falta de humidade começam a ser sentidos passadas três horas de voo", explica à CNN Gunnar Grün, diretor do Departamento de Eficiência Energética e Climatização Interior no Instituto Fraunhofer, na Alemanha.

"Esta questão não é de fácil solução já que a elevada humidade poderia condensar e criar problemas de corrosão e dos sistemas elétricos", acrescenta. A melhor forma de mitigar estes efeitos é beber água ou aplicar gotas nos olhos e nariz, mantendo-os hidratados, refere o investigador.

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Já os sistemas de iluminação têm visto mais progressos em prol dos passageiros. Os sistemas LED ajustáveis dentro das cabines ajudam a criar uma atmosfera mais relaxante durante estas viagens, afirma Miquel Ros.

O recorde do voo mais longo do mundo é um repto em constante superação pela indústria da aviação. A Qantas anunciou recentemente uma ligação direta Perth-Londres a inaugurar já no próximo ano. Esta será a primeira ligação aérea comercial entre a Austrália e a Europa e a terceira rota mais longa de todas as companhias. Haverá limite para a paciência dos passageiros?