O tempero caseiro dos petiscos, mantido em segredo, o ambiente castiço, com os armários em madeira, os bancos corridos e mesas da antiga "venda", o atendimento familiar deram-lhe fama à Tasca do Necas, que anda na boca de toda a gente.

"Vem gente de todo o lado, a nível nacional, podemos dizer", afirmou orgulhoso Noé Silva.

"Quando ando na rua, todos me conhecem. Os jovens dizem: 'Olha o homem das moelas!', identificam-me logo", disse o empresário de 55 anos.

O Necas das Moelas, como gosta de ser tratado, herdou o negócio do pai, com apenas 17 anos e ainda se lembra de "dar uma mão" ao avô, na mercearia.

"Em 1977 comecei a trabalhar aqui, com apenas 17 anos. Era uma mercearia tradicional com tasquinha, mas sem petiscos".

Na década de 80, o domínio das grandes superfícies comerciais ditaram a rentabilização do negócio familiar, preservando um passado de 75 anos de "luta e sacrifícios".

"Quando fiz as obras de adaptação ia retirar os armários da mercearia. Foi um amigo que me disse para não o fazer que ia cometer um crime e era bem verdade", afirmou.

Em 1986, o casamento com a "dona Mena", "o pilar do negócio", veio dar um impulso aos petiscos. Com as moelas, vieram os rissóis de moelas, mais tarde a típica sopa de lavrador. Na argila, pendurada nos velhos armários de madeira da mercearia, anuncia-se o menu diário.

Aos nomes dos pratos do dia, riscados a giz, juntam-se outras iguarias, como chouriço caseiro. Para beber "é ao gosto de cada um", desde o vinho da região ao "trifásico", uma mistura de vinho, cerveja e gasosa.

A sopa à lavrador, um dos "grandes sucessos" da casa, foi uma ideia de Noé Silva, inspirada nas sopas da avó.

"A minha mulher até me disse: Ó homem quem vai comer sopa logo de manhã", afirmou, explicando que a aposta começou devagar: "Comecei por fazer uma panelinha pequenina, e agora é um grande sucesso".

A sopa à lavrador, tal é a consistência "deixa a colher em pé". Leva feijão, couve-galega, barriga de porco, toucinho com febra, carne de vaca, chouriça sanguinha, entre outros ingredientes.

"Vêm jovens do BTT de várias zonas desde Famalicão a Esposende. Comem a sopa logo de manhã porque lhe chamam o 'red bull'", explicou.

Filho único do Necas das Moelas, Filipe Silva, de 26 anos, estudante de engenharia informática, ganhou gosto pelo negócio mas nunca pensou que assumiria a dimensão que hoje tem, e que as redes sociais ajudam a promover.

Para o universitário, "um negócio familiar onde o patrão dá a cara pelo produto, tem sempre sucesso".

"As pessoas dedicam-se de corpo e alma. Se conseguirmos fazer bem os resultados aparecem a curto ou longo prazo, neste caso", afirmou.

Agostinho Vaz é empresário da construção civil. Natural de Ponte de Lima, "pelo menos uma vez por semana", quando vem a Viana do Castelo, passa pela Tasca do Necas para comer um petisco.

"Se tiver obras para esta zona é todos os dias", afirmou.

Pedro Ferraz, de 14 anos, estudante na escola C+S da freguesia "vai às sandes de moelas" todas as semanas.

"São saborosas e costumo vir buscar para os meus colegas", disse.

José Simplício, empresário de 48 anos, é freguês "assíduo" e costuma dizer a quem entra no estabelecimento pela primeira vez: "O mal é entrar na Tasca do Necas. Fica-se cliente".