O seu porto natural foi a principal atração para os primeiros povos que ali se estabeleceram, que viram assim uma oportunidade de ligar o Mediterrâneo à Europa. E foi esse mesmo porto, que localizado numa depressão abrigada por colinas junto ao estuário do rio Rhône, que determinou em grande parte o carácter de Marselha.

A cidade têm uma história de vigorosa independência relativamente ao poder central sob uma variedade de formas. A sua inclinação para a dissidência política fez com que, durante séculos, tenha sido olhada como estando à margem da vida e da cultura francesas. No entanto, a característica mais consistente de Marselha é mesmo a sua disponibilidade para acolher a mudança. Essa abertura a novas ideias reflete-se na arquitetura da cidade, com as suas origens Gregas e Romanas, edifícios religiosos medievais, fortificações do século XVI, bonitas edificações dos séculos XVII e XVIII, prestigiados edifícios do século XIX, e as grandes execuções arquitectónicas do século XXI. Nesta viagem por Marselha, vamos desvendar o essencial desta cidade absolutamente fascinante.

Velha Marselha

Atrás da Câmara Municipal encontra-se a zona velha da cidade, Le Panier. Um bairro com um ambiente artístico, praças escondidas, muitos cafés, oficinas e lojas de artesanato. Aqui encontram-se os melhores lugares para apreciar o Santon de terra cota, uma imagem de marca da Provença, que nasceu em Marselha no século XVIII, bem como o tradicional Savon de Marseille, o artesanal e mundialmente famoso sabonete de Marselha.

O antigo porto é o local a partir do qual a cidade nasceu e ainda hoje continua a ser o coração de Marselha. Ladeado pelos fortes St-Nicolas e St. Jean, permanece um próspero porto para barcos de pesca e iates. A zona do porto tem muitos bares, cafés, restaurantes, brasseries e um tradicional mercado de peixe. É sempre um local animado e um dos melhores para degustar a mundialmente famosa sopa de peixe, a Bouillabasse.

A Abadia de Saint Victor data do século XI e alberga o túmulo do mártir de século XIV Saint Victor. A cripta contém artefactos arqueológicos de extremo valor, tais como uma pedreira do período Grego e uma necrópole Grega do ano 2 AC.

Ruas de Marselha
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Localizado na pequena ilha de If, ao largo de Marselha encontra-se o Château d’If. Foi construído no século XVI como fortaleza para proteger a cidade, mas no século seguinte foi convertido em prisão, para onde centenas de Protestantes foram atirados para as catacumbas. Este castelo ficou conhecido de todo o mundo graças ao romance do século XIX “O Conde de Monte Cristo” escrito por Alexandre Dumas, imortalizado na personagem de Edmond Dantès, um mercador que foi injustamente detido no dia do seu casamento, acusado de traição sem julgamento e ali permaneceu preso. Mais tarde conseguiu fugir, fez fortuna e leva a cabo o seu plano de vingança contra todos os responsáveis pela sua prisão. Atualmente é possível visitar a antiga prisão e ver, numa das celas, o buraco que Edmond Dantès escavou na parede.

Em 1671 começou a ser construído na Vielle Charité um hospital para acolher pobres e mendigos. Depois da Revolução Francesa o mesmo passou a ser um hospício destinado a receber idosos e crianças e mais tarde o edifício foi ocupado pelo exército. Após a Segunda Guerra Mundial foi completamente abandonado até que em 1986 ganhou nova vida, passando a acolher um centro de cultura e ciência. Atualmente alberga o Musée d’Archéologie Méditerranéene, o Musée des Arts Africains, Océaniens, Amérindiens, o Centre International de la Poésie de Marselha, o cinema Le Miroir e salas de exposições temporárias.

A Câmara Municipal de Marselha data do século XVII mas fica no mesmo local em que, desde o século XIII, comerciantes e cônsules se reuniam. Trata-se de um belíssimo edifício barroco classificado como Monumento Histórico.

La Canebière é uma bonita avenida que abriu em 1666 no seguimento da ordem de expansão da cidade proclamada pelo rei Luís XIV. Ladeada de magníficos edifícios liga o antigo porto à Eglise des Réformés.

O pequeno porto de L’Estaque é uma das zonas mais bonitas da cidade e está intrinsecamente ligado ao fabrico de telhas artesanais. Casas de campo e vivendas à beira-mar foram nascendo lado a lado com as pequenas e tradicionais habitações onde os trabalhadores das fábricas vizinhas moravam. Muitos artistas conhecem L’Estaque através da sua associação ao Impressionismo, Fauvismo e Cubismo, bem como a nomes tais como Cézanne, Braque, Derain, Dufy, Marquet, Friesz, Macke, Renoir, Guigou and Monticelli. Muitos destes artistas pintaram em L’Estaque inspirados pelas vistas de cortar a respiração sobre a baía de Marselha.

Marselha Moderna

Construída em 1864 a igreja de Notre-Dame de la Garde olha pelos marinheiros, pescadores e por toda a cidade. Situada no monte Garde, um habitual posto de observação para proteger Marselha dos invasores, foi precedida por várias pequenas capelas e fortalezas. Pode dizer-se que esta colina desempenha três funções distintas: Posto de vigilância, estrutura militar e, local de culto e peregrinação. Quando o número de peregrinos se tornou demasiado grande para o pequeno santuário ali existente, decidiu-se erguer a catedral atual. O edifício em estilo Romano-Bizantino divide-se em duas partes; em baixo uma igreja abobadada com cripta e em cima uma igreja com santuário devotado à Virgem Maria. Há ainda uma grande estátua da Virgem na torre sineira e um museu de arte sacra, que conta a história do templo religioso.

O MuCEM, Museu das Civilizações Europeias e Mediterrânicas é o primeiro museu focado na civilização Mediterrânica. Trata-se de um projeto governamental que reúne antropologia, história da arte e arte moderna. Alberga o edifício J4 que dispõe de duas salas de exibição, uma área para crianças, sala de conferências, livraria e restaurante. Há uma ponte que liga o renovado forte Saint-Jean ao J4 e outra que o liga ao bairro antigo Le Panier.

 Museu das Civilizações Europeias e Mediterrânicas
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No século XIX a zona de Belle de Mai albergava uma fábrica de Tabaco, que foi em tempos uma das maiores fábricas em França até ao seu fecho em 1970. Vinte e dois anos depois tornou-se na casa do projeto Friche la Belle, um espaço dedicado à produção de arte e residências artísticas. Atualmente é uma espécie de enorme parque de diversões para os artistas, uma vez que permite uma abordagem experimental e iniciativas de transformação do espaço existente. Há uma área de exposições com um terraço na cobertura que proporciona vistas excepcionais sobre a cidade até ao mar. Há também uma creche para 60 crianças que residem na zona, um parque infantil, uma parque desportivo e vários jardins. Há ainda uma área para descansar e relaxar, uma livraria-café, um restaurante, um cinema, cinco espaços para concertos que acolhem diversos eventos ao longo do ano e o Instituto de Artes Performativas do Mediterrâneo. Esta zona, artística e urbana experimental da cidade, que é um projeto social e uma aventura comunitária única, é uma óptima opção a ter em conta na hora de ir ver uma exposição, almoçar, assistir a um concerto, jogar um pouco de basquetebol, ou simplesmente passear.

Conhecido como Le Corbusier, este impressionante edifício de 1952 é uma obra do arquiteto Suiço Charles-Edouard Jeanneret. Representa uma experiência para um novo sistema habitacional, uma vez que além dos espaços individuais há extensões que vão para além das casas, como uma rua interna com lojas, livraria, bar, restaurante e hotel. Há ainda um infantário e um ginásio no último piso e na cobertura há uma piscina para crianças, parque infantil e um palco para concertos ao ar livre.

O Stade Vélodrome é local de visita obrigatória para os amantes do futebol, mas tem recebido eventos desportivos de outras modalidades. Em 1992 quando a FIFA atribuiu à França a organização do 16º Campeonato do Mundo, optou-se por aumentar o estádio para que alguns jogos fossem realizados em Marselha. O renovado estádio abriu em 1998 com 67 mil lugares cobertos que o transformaram no segundo maior estádio de França.