Imagine que compra um bilhete para um concerto. No dia do espetáculo chega à entrada e dizem-lhe que não pode entrar porque não há mais lugares vagos. Como? Pois. O que se passa nos aviões é mais ou menos assim. Bom, um pouco mais complexo. A verdade é que uma companhia que venda 200 lugares para um avião com 190 pode fazê-lo. E, segundo a Condé Nast Traveler, é perfeitamente legal.

O overbooking - excesso de passageiros - existe praticamente desde que os aviões comerciais começaram a circular. Através desta prática, as companhias aéreas conseguem reservar mais lugares do que aqueles que o avião comporta na verdade. O objetivo é compensar pelo pequeno número de passageiros que acabam por não aparecer ou embarcar num voo.

A probabilidade de comprar um bilhete de avião e não conseguir embarcar é mínima mas pode, no entanto, acontecer. Tal como o mais recente episódio da United Airlines. Nos anos 80, as companhias aéreas optavam por pedir a passageiros que não tivessem tanta urgência para trocarem os seus lugares com os viajantes mais apressados. Neste casos, os preços eram negociados. Caso não aceitassem seria acionada a opção número dois, prática que ainda hoje acontece: as companhias selecionam aleatoriamente os passageiros que não poderão embarcar. Neste caso, a própria empresa determina os critérios relativos à prioridade de embarque para os passageiros de um voo em que há mais bilhetes do que lugares disponíveis.

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Nos últimos anos, particularmente nos EUA, os reguladores aéreos aumentaram o valor das compensações que terão de ser pagas aos passageiros que são impedidos de embarcar de forma involuntária. Em 2016, só nos EUA mais de 40 mil viajantes foram retirados de um avião devido ao excesso de passageiros. No entanto, 434 mil abdicaram voluntariamente de um lugar em troca de dinheiro, o que pode constituir uma considerável perda de receita para as companhias aéreas. Na semana passada, a Delta Airlines pagou 11 mil dólares a uma família americana para não embarcar numa avião onde foram emitidos mais bilhetes do que os permitidos pela capacidade do avião.

As companhias aéreas têm aperfeiçoado os algoritmos dos sistemas de reserva de voos, permitindo saber com maior precisão quantos passageiros confirmados irão realmente embarcar. Mas nunca com 100% de certeza.

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